



O governo brasileiro insiste que não há melhor momento de se fechar a negociação como agora. Com a alta nos preços das commodities, os grandes países ricos não estão sendo obrigados a gastar bilhões em subsídios a seus produtores. Um corte profundo nesse nível de ajuda, portanto, poderia ser mais fácil de ser alcançado.
O Itamaraty também estima que a crise no setor de alimentos evidencia a necessidade de que as barreiras ao comércio sejam eliminadas. O Brasil insistiu nessa tecla por semanas. Mas teve seu próprio discurso prejudicado quando o Ministério da Agricultura tomou medidas para barrar a exportação de arroz. A iniciativa foi usada pelos países importadores como uma demonstração de que as medidas protecionistas são necessárias nessa etapa da crise. Governos como o da França já indicaram que a solução não seria a abertura de mercados, mas a garantia de maiores barreiras e subsídios para assegurar que todos os países possam ter auto-suficiência na produção de alimentos. "É incrível como as diplomacias tem a capacidade de traduzir os eventos no mundo real em argumentos para legitimar suas posições que não mudam há anos", afirmou Crawford Falconer, medidador das negociações agrícolas da OMC. Falconer admitiu na sexta-feira que planeja apresentar um novo texto de um acordo no final desta semana ou início da próxima. (Jamil Chade)