



Na operação, a Brigada não encontrou as armas de fogo que procurava, mas, além das prisões, apreendeu 9 coquetéis molotov, 15 facões, 19 escudos de madeira, 81 foices, 16 facões, 20 estilingues e 32 facas nas barracas dos 800 acampados. Ligado ao MST, o deputado Adão Pretto (PT-RS) também tentou ver de perto a operação, mas ficou retido numa barreira organizada por ruralistas a oito quilômetros do acampamento. "Estou envergonhado porque o Rio Grande do Sul se diz um Estado politizado e ainda permite que fazendeiros bloqueiem a passagem, ameacem de agressão e ofendam pessoas sob o sorriso debochado de policiais", reclamou.
Quando autorizado a entrar no acampamento pelo juiz José Pedro Eckert, o mesmo que havia emitido o mandado de busca e apreensão, Adão Pretto encontrou os sem-terra sentados no chão, com a cabeça entre os joelhos, e proibidos de se mover. "Eles humilharam as pessoas, disseram que iam procurar objetos roubados e armas e não encontraram nada, o que prova que o povo não está para a guerra, mas apenas lutando para não virar marginal numa favela." Ao comentar a prisão dos três acampados procurados pela Justiça, o deputado reconheceu que nem todos são "anjos" quando forma-se um grande agrupamento humano, mas ressalvou que isso ocorre em toda a sociedade. (Elder Ogliari)