



O ministro do STF Marco Aurélio Mello considerou "inconcebível" a regra que dá a um réu condenado a mais de 20 anos o direito a um segundo julgamento. "Não vejo razão para colocarmos em dúvida uma decisão judicial considerando o número de anos impostos em termos de pena. Esse duplo julgamento é inconcebível. Não há razão suficiente para essa norma, a não ser gerar essa perplexidade."
Apesar de ser soberana a decisão do Júri, Celso de Mello afirma que ela pode denotar que os jurados responsáveis pela absolvição podem não ter analisado adequadamente as provas. Marco Aurélio concordou. "De duas uma: ou a culpa não estava formada antes (no primeiro julgamento), e a decisão estava errada, ou a decisão estava certa, e esta segunda está errada", disse. No mesmo julgamento, o pistoleiro Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, réu confesso, foi condenado a 28 anos de prisão em regime fechado. No primeiro julgamento, a pena havia sido de 27 anos. Ele assumiu sozinho o planejamento e execução do homicídio. A missionária, de 73 anos, foi atingida por 9 tiros em fevereiro de 2005, em Anapu, no Pará. Ela tentava implantar na região um projeto de desenvolvimento sustentado com pequenos agricultores. (Felipe Recondo)