



A Força Sindical alega que, se o governo quer combater a inflação, teria de incentivar o aumento da produção de alimentos e reduzir os impostos dos produtos da cesta básica. "A decisão do Copom trará efeitos danosos à economia e ao emprego, pois irá inverter a tendência de crescimento do País e de criação de novos postos de trabalho. Como as causas da aceleração da inflação estão relacionadas à conjuntura internacional, a iniciativa do Copom terá pouco efeito prático nos preços das mercadorias - alimentos, petróleo e minerais", conclui a nota.
CNI
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, disse que desaprova a elevação de 0,75 ponto. Em nota, destaca: "Em um ambiente de incerteza inflacionária, a política monetária gradual é mais eficaz para coordenar as expectativas de elevação dos preços. A alteração dessa postura, com a intensificação do aperto monetário, resultará em maiores danos ao próprio processo de crescimento econômico".
Ainda na nota, Monteiro Neto diz que o Banco Central deveria esperar pelas naturais defasagens dos impactos da política monetária restritiva. "A idéia de acelerar o movimento de redução do consumo das famílias, via aumento mais intenso dos juros, não irá gerar os benefícios desejados, uma vez que muito da inflação é originada globalmente, dado o aumento dos preços internacionais dos alimentos", avaliou.
CNC
O chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor de política monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, disse que o termo "tempestivamente" usado no comunicado do Copom de hoje "jogou um pouco de lenha na fogueira, porque mostra que (o Banco Central) está apavorado com a perspectiva inflacionária e isso pode elevar ainda mais as expectativas de inflação (do mercado)".
Para Thadeu de Freitas, a decisão do Copom aponta também para uma possível nova elevação de 0,75 ponto na Selic e o ajuste deverá prosseguir até o ano que vem. Ele considera "correta" a dosagem da alta estipulada na reunião de hoje como forma de tentar trazer a inflação para o centro da meta.
O economista acredita, porém, que será muito difícil, mesmo com aumento dos juros, cravar a inflação na meta já em 2009 e o objetivo só deverá ser plenamente alcançado em 2010.
Fecomércio-RJ
O presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, também disse discordar da decisão do Copom. "O aperto monetário será ineficiente, caso seja mantido o patamar atual de gastos públicos", afirma. Segundo Diniz, o governo continua apoiando suas despesas em uma trajetória ascendente da arrecadação, que não pode ser tida como permanente. "Com juros em alta, perde-se dinamismo econômico, o País cresce menos e a arrecadação diminui", disse. (AE)