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                  Outubro/Novembro - 2005 - nº 4          

Especialista destaca vocação como medida de sucesso profissional

 
Professora Constança Meirelles Vieira,
do Ibmec São Paulo, fala a mais de 100 executivos no Grupo Estado).
 

Qual é a verdadeira medida e o significado de sucesso na carreira? Para a psicóloga e professora Constança Meirelles Vieira, do Ibmec São Paulo, a identificação dos valores individuais, da vocação e o investimento na escolha profissio­nal ligada ao ”querer ser” são, atualmente, as principais referências para a avaliação do sucesso profissional.

“Sucesso não é um conceito único, mas individual e está relacionado à coerência entre os valores e as escolhas de cada um”, observou a especialista durante a conferência Desen­vol­vimento de Carreira, realizada em 31 de agosto no auditório do Grupo Estado e que fez parte do V Painel AE Gestão & Carreiras, em parceria com o Ibme.

O sucesso está relacionado à coerência entre valores e escolhas de cada um

De acordo com a especialista – com pós-gradu­ação em Gestão Estratégica de Recursos Hu­manos e também sócia-diretora da i9 Tecnologia em RH –, a conciliação entre o querer ser e o poder ser é o ideal para a realização profissional. Ela cita a máxima de que carreiras de sucesso não são planejadas; são carreiras de pessoas que estão preparadas para oportunidades porque conhecem suas forças e a maneira pela qual trabalham seus valores. “Temos de destacar nossos pontos fortes e trabalhar nossos pontos fracos na medida em que eles nos ‘sabotam’”, disse.

“Saímos de um cenário de informação restrita, de um mundo local em que as carreiras eram previsíveis e fechadas, os processos e estruturas burocráticos – com poucas opções de escolha –, para uma realidade de informação em tempo real que define um universo mais amplo, com muito mais conexões e oportunidades globais, aumento de expectativa de vida e de carreira", detalhou.

Assim, as carreiras passam a ser abertas. “Não estamos mais na lógica da carteira assinada; hoje há novas relações de trabalho”, afirmou. “Nesse contexto, duas perguntas são fundamentais: Que mundo é esse? O que significa carreira para mim?”, acrescenta.

Constança destaca os pontos fundamentais para os quais é preciso atentar nas diversas fases da carreira. Os primeiros anos de vida profissio­nal devem ser dedicados a experiências que ensinam “como fazer”. É a hora de experimentar e procurar situações de máximo aprendizado.

Quando se atinge a fase de 8 a 15 anos de atividade profissional – também um momento de criação da família, de patrimônio e conquista de símbolos de poder e status –, acontece a consolidação de know-how e identificação do foco principal da carreira. Para o período de 15 a 25 anos, a especialista aconselha um ano sabático para reflexão. Constança destaca que depois deste é importante o profissional usar a vivência para recomeçar e manter-se sempre ativo.

Equilíbrio entre carreira e vida define performance no trabalho

As novas relações de trabalho transformaram medidas de avaliação de competências e exigem maior atenção dos profissionais para o equilíbrio entre carreira e vida, na visão do professor Luiz Carlos de Queirós Cabrera, da EAESP/FGV. Para ele, num cenário em que o mundo do trabalho mudou – com a transição do conceito de emprego para trabalho –, os modernos critérios de avaliação da performance profissional também se modificaram. “Atualmente, exige-se do profissional a capacidade de lidar, cada vez mais, com o ineditismo das situações; não basta ter respostas prontas para tudo, é preciso saber fazer novas perguntas”, observa o professor.

É necessário fechar os
ciclos de atividades, vivendo-as intensamente

Ele participou do IV Painel AE Gestão & Carreiras em junho, na Fundação Getúlio Vargas, com o tema “Carreira e vida: um equilíbrio fundamental”, promovido pela Agência Estado em parceria com EAESP/FGV.

Segundo o professor, atualmente a competência é avaliada pela capacidade do profissional de dar respostas aos desafios em um ambiente em que há mais probabilidade de ocorrer eventos inéditos do que previsíveis.

Na solução de eventos inéditos é preciso ter abstração, saber fazer as perguntas. Foi-se o tempo em que apenas a experiência acumulada, a obediência e cumprimento de regras eram a moeda de avaliação das competências. Nesse contexto, entra a necessidade de equilíbrio entre carreira e qualidade de vida. “Estamos falando do conceito de integridade, em que não há mais separação entre o mundo do trabalho e o pessoal.”

Cabrera lançou as perguntas fundamentais que o profissional deve fazer: Tenho um projeto de carreira? Tenho me dedicado a me conhecer? Sei como estou sendo avaliado? Em que estágios estão meus ciclos de desenvolvimento?

O professor ainda insistiu na necessidade de fechar os ciclos de atividades, vivendo-as com intensidade e focando cinco facetas do desenvolvimento da pessoa: trabalho, família, amigos, saúde e alma. Cabrera destacou que, entre todas elas, o trabalho é a mais “maleável”, permitindo ao executivo recomeçar sempre, como se fosse uma bola de borracha, que pode ser deslocada sem quebrar. O que não acontece com os demais aspectos da vida, comparados por Cabrera a frágeis bolas de vidro. “Sendo assim, é importante estabelecer uma hierarquia de valores na vida, tendo em vista que nem tudo é passível de troca, como a família, os amigos, a saúde e a alma.”

Empresas valorizam análises de personalidade

 
A professora Tania Casado da FIA/USP participa do VI Painel AE Gestão & Carreiras no Grupo Estado)
 

Aliar as características estruturais de personalidade (tipo psicológico) dos profissionais aos valores das organizações empresariais tem sido uma das recentes preocupações de universidades, especialistas em gestão de carreiras de âmbito corporativo, em nível mundial, percebe-se que garantir equilíbrio e sucesso na carreira – tanto do ponto de vista dos funcionários como das empresas – depende cada vez mais da relação que se estabelece entre ela e desenvolvimento humano. “A carreira deve ser vista hoje dentro de um cenário de desenvolvimento humano global”, afirma a professora Tania Casado, da FIA/USP, psicóloga e doutora em Administração e também uma das coordenadoras de pesquisa do The University Fellows International Research Consortium.

Em 28 de setembro, a AE, em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA) da Universidade de São Paulo (USP), promoveu, no auditório do Grupo Estado, o VI Painel AE Gestão & Carreiras, com a conferência “O autoconhecimento na gestão da carreira”, minis­trada por Tania Casado. Para a especialista, o bom uso do tipo psicológico é necessário para se fazerem escolhas profissionais certas. Com essa análise, as empresas também evitam o excesso de rotatividade de funcionários e a perda de talentos.

Aliar personalidade com valores da empresa é um desafio constante do profissional

Segundo a professora, as organizações se preocupam cada vez mais com a melhor forma de observar traços psicológicos e valores para evitar dissonâncias e conflitos nas relações de trabalho. “A coerência entre valores pessoais
e os da organização é fundamental no novo cenário organizacional, das relações de trabalho e das mudanças na sociedade”, analisa Tania. Por isso, o profissional deve fazer sempre a pergunta: será que este trabalho serve para mim?

Em linhas gerais, Tania definiu os tipos psicológicos fundamentada nas teorias do médico e psicana­lista Gustav Jung, que classifica algumas funções psicológicas e faz a contraposição entre tipos como extrovertido x introvertido, pensamento x sentimento e sensação x intuição.

O evento deu continuidade ao ciclo de conferências desenvolvido pela Agência Estado em parceria com entidades de ensino de Gestão e Finanças. Para este semestre, ainda estão previstos painéis com a Fundação Dom Cabral (FDC) e Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV).



AE se expande pelo Brasil com Trader's School


O Trader's School, programa de formação de futuros investidores desenvolvido há três anos pela TCX Trading Consulting em parceria com a Agência Estado, expande-se pelo Brasil. O último curso Estratégias de Operações no Mercado Financeiro foi realizado em setembro em Goiânia (GO), pelo matemático e economista Luiz Antônio Parddal, sócio da TCX.

O programa é dirigido a estudantes ou profissionais da área financeira de risco, gestores de fundos de investimentos e agronegócios, produtores rurais, profissionais liberais e pessoas inte­ressadas em conhecer e adquirir familiaridade com as novas técnicas do mercado acionário e derivativos. O Trader's School conta com o apoio da Q10 Informática, cuja plataforma tecnológica permite o acesso ao AE Broadcast.

O programa já foi aplicado várias vezes na capital paulista. No RJ, foi apresentado a funcionários do Banco do Brasil e da Petrobras; em Recife e BH, nas novas filiais da empresa. Agora, em parceria com o Instituto Nacional de Pós-Graduação, novas turmas estão em formação em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Informações: (11) 3242-3600.


AE Broadcast: um excelente instrumento para os profissionais do mercado financeiro______  

 
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