Diversificação garantiu expansão do Bradesco, 5º. colocado

Após conquistar alta renda e clientes corporativos, banco quer ganhar escala e retomar liderança do setor.

Natalia Gómez

 

O vigoroso crescimento do Bradesco nos últimos dez anos, voltado não apenas para a expansão dos negócios, mas também para a diversificação, garantiu ao banco a quinta colocação no prêmio Destaque Agência Estado Empresas da Década. A aposta na segmentação dos seus produtos neste período fez com que o Bradesco deixasse de ser um banco apenas voltado para as grandes massas, passando a incluir clientes pessoa física de alta renda, grandes e médias empresas e private banking.

Se na última década a meta do banco foi a segmentação, a prioridade para os próximos dez anos é ter escala. "Se já temos 20% dos mercados onde atuamos, e se esses mercados estão em fase de acelerada expansão, é nossa obrigação não só trabalhar para manter essa margem, como também conquistar novas fatias", afirma o presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. De acordo com o executivo, a instituição deve aproveitar a atual janela demográfica que vai incorporar milhões de pessoas que chegam à idade produtiva.

"A intenção é ter mais e mais pessoas se relacionando conosco, seja por meio da abertura de uma conta corrente, pela compra de um plano de seguro, consórcio ou plano de previdência", diz. De acordo com Trabuco, a inclusão bancária e os negócios corporativos também são frentes de trabalho que vão merecer muita atenção por parte do Bradesco.

As bases para o crescimento já foram lançadas. Durante a última década foram investidos R$ 19,2 bilhões, com foco em infraestrutura, informática e telecomunicações. Neste intervalo, a base de clientes correntistas do banco passou de 8,7 milhões para 20,9 milhões. Somente em 2010, serão investidos R$ 4,2 bilhões, montante 21,4% superior aos R$ 3,45 bilhões investidos no ano passado. Serão abertas 270 novas agências bancárias no País, ante uma base atual de 3,454 mil unidades.

Segundo o vice-presidente e diretor de Relações com Investidores, Domingos Abreu, a segmentação ocorrida na última década permitiu ao banco oferecer produtos e atendimento mais apropriados para cada tipo de cliente. "O retorno obtido com cada perfil aumentou com esta estratégia", afirma. A criação do Bradesco Prime em 2003 foi um dos pontos altos deste projeto, tendo como público-alvo pessoas físicas com renda a partir de R$ 6 mil ou com investimento igual ou superior a R$ 70 mil.

O embrião desta iniciativa foi a compra do Banco Mercantil de São Paulo, em 2002, e a compra do Banco de Crédito Nacional (BCN), em 1997, ambos com foco na alta renda. De acordo com o executivo, a compra da American Express do Brasil, em 2006, também teve como objetivo aumentar a percepção do Bradesco como um banco voltado para este público.

Outros passos rumo à diversificação foram a criação do Bradesco Private Banking, voltado para pessoas físicas com elevado patrimônio, holdings familiares e empresas de participações, além do Bradesco Empresas e o Bradesco Corporate, que atendem companhias com faturamento entre R$ 30 milhões e R$ 350 milhões ao ano, e acima de R$ 350 milhões, respectivamente. A aposta no crescimento do mercado de capitais levou à criação do BBI, banco de investimentos, há quatro anos, e à compra da corretora Ágora Invest, em 2008.

De acordo com Abreu, a área de seguros também está no radar do banco, que em outubro do ano passado associou suas atividades no ramo de planos odontológicos com a OdontoPrev. "Esperamos um aumento na demanda por seguros devido ao aumento do poder aquisitivo da população", afirmou. As ambições do Bradesco também incluem o avanço no mercado internacional, que deve receber reforços na estrutura de distribuição de produtos do mercado de capitais. Segundo o executivo, o banco tem uma boa estrutura de distribuição em Nova York (EUA), mas pretende se fortalecer em Londres (Inglaterra) e na Ásia.

A estratégia de segmentação do banco mostrou resultados expressivos. O lucro líquido ajustado da instituição saiu de R$ 1,105 bilhão em 1999 para R$ 7,586 bilhões em 2009. Seus ativos totais passaram de R$ 80,3 bilhões para R$ 506,2 bilhões. Os acionistas do Bradesco também se beneficiaram de uma expressiva distribuição de dividendos, que somou mais de R$ 17,5 bilhões durante o período.

A relação entre valor de mercado e patrimônio líquido do banco teve uma alta expressiva, passando de 1,9 vezes em 1999 para 2,5 vezes no ano passado. O valor de mercado saltou de R$ 13 milhões para R$ 103,1 bilhões no período, enquanto o patrimônio líquido saiu de R$ 6,7 bilhões para R$ 41,7 bilhões.

Fundado em 1943, o Bradesco tem capital aberto desde 1946. Atualmente, cerca de 68% das suas ações estão no mercado. Sua histórica liderança no mercado brasileiro de bancos privados foi perdida em 2008, quando Itaú e Unibanco anunciaram sua fusão. De acordo com Abreu, retomar o primeiro lugar não é uma meta impossível para o Bradesco, mas é um trabalho árduo e de longo prazo.

Mesmo assim, ele afirma que o assunto "não tira o sono" dos executivos do banco, que veem muitas oportunidades de crescimento orgânico para os próximos anos.

Parte deste caminho já foi percorrido. Nos últimos doze meses, a diferença de ativos entre os bancos caiu R$ 42 bilhões. Na comparação com o primeiro trimestre de 2009, os ativos do Bradesco cresceram 10,5% no primeiro trimestre de 2010, puxados pela maior expansão da carteira de crédito. No Itaú, os ativos aumentaram 1,6% e somaram R$ 634,6 bilhões, R$ 100 bilhões a mais do que o Bradesco (R$ 532,6 bilhões).

 

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