Com aquisições, Itaú, 3º. colocado, tornou-se um dos maiores do mundo

Concluída integração com Unibanco, prioridade do Itaú é avançar no processo de internacionalização

Altamiro Silva Júnior

 

Com um pé ficando no Japão e outro na Suíça, o Banco Itaú enfrenta o desafio de ampliar sua presença no mercado internacional, depois de se consolidar na última década como o maior banco privado brasileiro e um dos dez maiores do mundo em valor de mercado. O Itaú obteve a terceira posição no Destaque Agência Estado Empresas da Década, que lista as companhias com melhor desempenho em toda a década do ponto de vista do retorno ao acionista.

"Foram anos de grandes oportunidades, trabalho duro, mas que proporcionaram crescimento consistente e várias conquistas importantes, as quais transformaram o Itaú Unibanco em uma das maiores instituições financeiras do planeta", afirma o presidente da instituição, Roberto Setubal. "Nós pensamos grande e vamos continuar buscando de maneira determinada a liderança."

Os últimos 10 anos não foram fáceis para o mercado financeiro. Crise cambial na primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, instabilidade na bolsa na transição presidencial, crise na Argentina e, para fechar a década, o estouro da maior crise mundial desde 1929. "Olhando em retrospecto, soubemos enfrentar os grandes desafios da década, como, por exemplo, a maior crise financeira mundial dos últimos 70 anos, o acirramento da concorrência no mercado financeiro mundial e as enormes mudanças associadas ao vertiginoso desenvolvimento das tecnologias da informação e de novos modelos de gestão", avalia Setubal.

Neste momento, o banco, segundo ele, está 100% focado na conclusão do processo de integração com o Unibanco, que se fundiu com o Itaú em novembro de 2008, em meio a um dos momentos mais tensos da crise mundial. "Esperamos concluir essa etapa até o final de 2010. Então poderemos direcionar o nosso foco para outros temas que julgamos importantes para construção de um banco que venha a ser futuramente reconhecido como o melhor banco do mundo. Já contamos com operações significativas em vários países do Cone Sul e devemos buscar novas oportunidades nos mercados em que possuímos algum grau de afinidade", destaca Setubal. O executivo não revela mais detalhes do processo de internacionalização do Itaú. Mas na semana passada o banco pediu autorização para operar na Suíça, na área de private bank.

Nos anos 2000, o Itaú consolidou sua presença no Brasil e na América Latina, com forte atuação na Argentina e outros países do Cone Sul. Após comprar o BankBoston, em 2006, ampliou presença no Chile e no Uruguai. No mesmo ano, abriu escritório em Hong Kong. No final da década, o banco começou a traçar planos mais ambiciosos. Montou uma corretora no Japão e este ano anunciou a abertura de uma gestora de recursos no mercado japonês.

O Itaú começou a década comprando bancos estaduais, que estavam sendo privatizados. Em 2000, foi o Banco do Estado do Paraná. No ano seguinte, foi o Banco do Estado de Goiás. Em 2002, resolveu reforçar sua atuação no atacado e criou o Itaú BBA após associação com o europeu BBA Creditanstalt. Em 2003, foi a vez de adquirir o Banco Fiat. Nos anos seguintes, a estratégia foi buscar ampliar operações no varejo, por meio de associações com o Grupo Pão de Açúcar (2004) e Lojas Americanas (2005) que criaram financeiras e cartões de crédito próprios.

"As associações com o Unibanco e o BBA e a aquisição das operações do BankBoston foram, a meu ver, os fatos mais marcantes da década passada, pois contribuíram de maneira decisiva para a nossa evolução e desenvolvimento", destaca Setubal. "Por outro lado, eu citaria a introdução do credito consignado, que obrigou o reposicionamento de nossa operação de crédito ao consumo, tornando o modelo de concessão de crédito a partir de abordagens ostensivas, baseado em lojas e quiosques, pouco eficiente", diz. Nesse segmento o banco criou a financeira Taií, que possibilitou o início de parcerias com varejistas e cartão de crédito. "Com isso, conseguimos uma relação estreita com o cliente, com grande flexibilidade e baixo custo operacional."

A expansão das operações do banco nos anos 2000 pode ser vista pela valorização de sua marca. A consultoria inglesa Interbrand, por exemplo, avaliava a marca do banco em US$ 970 milhões em 2000. Em 2004, o número chegou a US$ 1,2 bilhão. No final da década estava em US$ 5,9 bilhões.

A análise do lucro líquido mostra também a dimensão que o banco ganhou. Em todo o ano de 2000, o Itaú Unibanco lucrou R$ 1,841 bilhão. Este ano, apenas no primeiro trimestre, o resultado foi de R$ 3,234 bilhões. E, em 2009, R$ 10 bilhões. Na década, o banco conseguiu manter sua rentabilidade sobre o patrimônio. Em 2000, o indicador era de 27%. Este ano, entre janeiro e março, terminou em 25%. Após a fusão com o Unibanco, em meio à integração das operações, a rentabilidade chegou a cair a 18% no início do ano passado, mas se recuperou no início deste ano.

Outro desafio do Itaú Unibanco para os próximos anos é ganhar espaço no disputado mercado de crédito. "Esperamos ampliar significativamente o saldo de nossas operações de crédito, tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica", diz Setubal. Segundo ele, o crescimento da classe C abriu boas oportunidades nesse mercado. Um dos desafios nas pessoas físicas é a expansão do crédito imobiliário. Na pessoa jurídica, o banco se voltou mais para os empréstimos a pequenas e médias empresas.

Para Setubal, o crescimento recente do crédito e as perspectivas futuras de expansão só são possíveis por conta da consolidação da estabilidade da economia na década. "A redução das incertezas contribui decisivamente para que tanto tomadores de crédito quanto as instituições financeiras se sintam mais confortáveis ao realizar as operações. Esta nova realidade exige também o desenvolvimento e o amadurecimento de uma cultura creditícia, algo que está ocorrendo atualmente no Brasil.

 

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