18/06/2009

Souza Cruz ainda avalia impacto da alta de impostos

Diretor da empresa diz que mercado está se adaptando à nova realidade de preços

Rodrigo Petry

 

O diretor financeiro da Souza Cruz, Luis Rapparini, disse hoje que ainda é cedo para avaliar os impactos da alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do PIS/Cofins sobre a comercialização de cigarros, em vigor deste o final de março. Segundo ele, o mercado ainda está se adaptando à nova realidade de preços, que subiram, em média, 26% na companhia.

"Vai levar uns três ou quatro meses para se ter uma ideia do impacto direto do aumento de preços. O mercado está confuso com as implicações do reajuste de 26%", afirmou, após a empresa receber o prêmio Destaque AE Empresas.

Segundo ele, a expectativa é de que possa ocorrer uma redução do consumo das marcas da Souza Cruz, em razão da possibilidade de aumento da venda de produtos contrabandeados. "Acreditamos que o governo vá atuar de forma mais incisiva na repressão, caso contrario há o risco de aumento da ilegalidade."

O executivo destacou que a estimativa é de uma retração entre 6% e 7% no volume das vendas este ano, com base em estatísticas históricas de elevação de preços. Essa contração das vendas, no entanto, pode ser menor, caso a economia a venha a se recuperar ao longo do ano. "Promovemos aumento de preços em 2007 e 2008, mas naqueles anos o consumo se manteve aquecido em razão do crescimento da economia e da renda", disse.

Rapparini salientou que o reajuste dos preços proporcionará um aumento na margem operacional, que poderá compensar o aumento da carga tributária. "Esperamos que nossa margem operacional, que fechou ao redor de 40% no ano passado, possa crescer", disse.

Em relação às exportações, o executivo destacou que não foi percebida retração das encomendas por parte dos clientes. No entanto, a renegociação com os importadores pode levar a uma leve queda no valor pago em dólares pelo fumo embarcado, disse. Rapparini observou ainda que o mix exportado terá uma valor agregado maior em 2009, em razão da safra "de maior qualidade".

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