18/06/2009

Resistente à crise, Souza Cruz reforça dividendos e fica em 3º

Empresa dribla alta do preço do cigarro em razão dos impostos, com expansão da distribuição direta, e eleva geração de caixa operacional em 42,3%

 

A Souza Cruz conquistou a terceira colocação no prêmio Destaque Agência Estado Empresas, avançando três posições em relação à posição obtida na premiação do ano passado. O pagamento de dividendos foi novamente o diferencial, mas a companhia destacou-se ainda no quesito preço sobre valor patrimonial por ação, que encerrou o ano passado em 6,3 vezes, indicado que o investidor tem uma boa percepção de valor da companhia.

"Nos últimos dez anos distribuímos cerca de R$ 7,8 bilhões, proporcionando um dividend yield (prêmio referente aos proventos) médio de 13%", diz o diretor-financeiro da empresa, Luis Rapparini. A remuneração total para os acionistas em 2008 foi de R$ 1,204 bilhão, o que representou 96% do lucro líquido do exercício.

Segundo Rapparini, a crise internacional desencadeada pela concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro do ano passado, não causou impacto nas operações da empresa. "A posição conservadora da Souza Cruz na gestão dos negócios tem permitido à companhia atravessar a crise com uma posição confortável de caixa, mantendo o foco no desempenho operacional", explica. A geração de caixa operacional no ano passado cresceu 43,2%, atingindo R$ 1,621 bilhão.

Diante da retração do volume comercializado de cigarros no mercado total brasileiro, que recuou 2,3% em 2008, para aproximadamente 126,5 bilhões de unidades, a Souza Cruz pôs em prática um maior estreitamento com o varejo, expandindo a distribuição direta dos produtos, que chegam a 250 mil pontos-de-venda. Essa estratégia, destaca o executivo, compensou em parte o aumento médio de 11% no preço do cigarro. Mesmo assim, as vendas da empresa recuaram 0,2%, com a comercialização de 78,6 bilhões de cigarros.

No ano passado, a companhia criou ainda novas versões de produtos já consolidados e lançou no Brasil as marcas internacionais Dunhill e Vogue - a primeira presente em mais de 100 países e a segunda em mais de 50. O maior crescimento em termos de volume de vendas ficou por conta do Hollywood, com alta de 11,8% e conquista de 1,4 ponto porcentual de market share, para 11%. Outro destaque foi a alta de 19,3% do Lucky Strike. Já as marcas tradicionais como Free e Carlton registraram vendas 2,4% e 2,1%, respectivamente, superiores as de 2007.

Ao mercado externo, foram embarcados no ano passado 128 mil toneladas, o que representou uma alta de 5,6% na comparação com o volume exportado em 2007. Para este ano, o presidente da companhia, Dante Letti, disse que a companhia já sentiu retração na demanda externa por fumo em alguns de seus principais mercados, como o europeu, em termos de volume e preços. "Nossa expectativa é de que as exportações caiam este ano na receita em dólar, com uma pequena queda em volume, mas com uma margem melhor em razão da valorização do dólar."

Para 2009, a Souza Cruz prevê que o aumento nos preços dos cigarros efetuados em abril, em razão da elevação das alíquotas do PIS/Cofins e do IPI pelo governo, deve impactar no volume das vendas, pela expectativa de ampliação do consumo de produtos contrabandeados. Segundo Letti, se não houver medidas de repressão ao contrabando e à informalidade, a empresa poderá perder até 1 ponto porcentual em sua participação de mercado, que encerrou o primeiro trimestre deste ano em 62,7%.

Os investimentos da companhia em 2008 somaram R$ 198 milhões, praticamente estável em relação aos aportes de 2007, que atingiram R$ 195 milhões. Os recursos foram destinados à modernização do parque industrial e em tecnologia da informação - como a atualização do sistema integrado de processamento de dados SAP. A empresa iniciou também a construção do novo parque gráfico, localizado em Cachoeirinha (RS), que vai passar a atender à demanda do mercado interno.

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