18/06/2009
Capacidade de geração de caixa anual de R$ 2 bi e baixa alavancagem permitem avanço nas licitações sem comprometer capacidade financeira
Michelly Chaves TeixeiraQuarta colocada no prêmio Destaque Agência Estado Empresas, a CCR conseguiu contornar a debilidade da atividade econômica no último trimestre de 2008 ao combinar redução de custos operacionais com uma gestão de caixa conservadora. Estes fatores, aliados à garantia das concessionárias de rodovias de todo ano terem reajuste de tarifas, resultaram em uma receita líquida de R$ 2,7 bilhões no ano, aumento de 16% sobre 2007. A despeito da desaceleração econômica, o ritmo de alta foi mantido no primeiro trimestre de 2009, quando o faturamento líquido da CCR evoluiu a taxas superiores a 15%, para R$ 716 milhões.
No ranking elaborado em parceria com a Economática, a CCR se destacou, principalmente, pela distribuição de dividendos sobre o patrimônio líquido e pelo preço sobre valor patrimonial por ação, indicando que o investidor tem uma boa percepção do valor da empresa. A fama da CCR de ser boa pagadora de dividendos já é conhecida pelos investidores e analistas, o que vem contribuindo para a liquidez de seus papéis.
De 2003 a 2008, o valor dos proventos pagos pela CCR cresceu 303%. Em 2004, a empresa assumiu com o mercado o compromisso de distribuir sob a forma de dividendos ao menos 50% de seu resultado líquido. No ano passado, os proventos totalizaram R$ 713,6 milhões, o correspondente a 76,3% do lucro no exercício fiscal. Um ano antes, conforme demonstrações financeiras reclassificadas pela nova lei contábil, a distribuição de dividendos alcançou R$ 579,7 milhões ou 91,8% do ganho líquido do período.
"O reconhecimento da empresa pelo mercado tem relação com o perfil conservador da empresa nas áreas financeira, jurídica, societária e contábil", avalia o presidente da CCR, Renato Alves Vale.
Mesmo com toda a cautela, a CCR não está se fiando apenas no crescimento orgânico para expandir seus negócios nesse ambiente de crise. Em 2008, a empresa adicionou ao seu portfólio o trecho oeste do Rodoanel Mário Covas e uma participação de 40% na Renovias. Mais recentemente, no início de 2009, a empresa anunciou a compra de 45% da Controlar, responsável pela inspeção veicular ambiental na cidade de São Paulo, enunciando o interesse de novas áreas de atuação.
As compras não acabam por aqui. São várias as oportunidades em 2009. No radar da CCR estão a licitação de rodovias paulistas e o programa federal envolvendo concessões nos Estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. A empresa também está de olho na concorrência de trechos de rodovias estaduais mineiras e no leilão do trem Expresso Aeroporto, que ligará o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, ao centro da cidade. Outro foco de atenção recai sobre a administração de negócios de transporte ferroviário de passageiros.
Está fora do escopo da CCR, no entanto, a disputa pela administração dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e Viracopos, em Campinas, São Paulo, disputa que deve ficar restrita aos acionistas da companhia de concessões rodoviárias - Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Cerveng-Civilsan e a portuguesa Brisa. "Do Brasil, temos acompanhado também oportunidades nos Estados Unidos, México e no Chile", revela o executivo.
Como a prudência na gestão é a marca da CCR, como faz questão de afirmar Vale, as novas concessões - e até compra de empresas - serão feitas com o cuidado de não colocar em risco sua capacidade financeira. Hoje, sua dívida líquida supera em uma vez e meia o valor da geração de caixa medida pelo Ebitda.
O presidente da CCR e seu diretor-financeiro e de Relações com Investidores, Arthur Piotto Filho, acham que o grau de alavancagem "aceitável" para a companhia é de, no máximo, duas vezes e meia. "A dívida líquida/Ebitda pode até bater três vezes em um determinado trimestre, mas nosso objetivo é baixá-la na sequência", afirma Vale, ressaltando que a CCR também tem trabalhado para reduzir seus custos operacionais para menos de 50% da receita líquida, porcentual que chegou a bater 59% no fechamento de 2006. No primeiro trimestre de 2009, estava em 51%, mas ainda assim acima dos 49% vistos nos três meses finais de 2008.
Ainda que não faltem oportunidades no mercado e a CCR tenha capacidade de geração de caixa anual superior a R$ 2 bilhões para fazer frente a investimentos, seu presidente avisa: "Há que se respeitar os limites da capacidade de gestão". Segundo ele, o excesso de projetos em andamento não pode comprometer a qualidade do serviço. "Não espere a CCR entrando em licitação ou comprando três negócios ao mesmo tempo. A capacidade de gestão é mais apertada do que o limite financeiro", destaca.