18/06/2009

Natura conquista três prêmios no Destaque AE Empresas

Companhia leva primeiro lugar no ranking geral e obtém reconhecimento pelo desempenho no Novo Mercado e no Índice de Sustentabilidade

 

A Natura comprovou a histórica resistência do setor de cosméticos, fragrâncias e higiene pessoal aos momentos de instabilidade econômica e conquistou a liderança do prêmio Destaque Agência Estado Empresas. A companhia também obteve outras duas premiações: Destaque Novo Mercado e Destaque Sustentabilidade. A tripla premiação ocorreu devido ao fato de as ações da empresa, sob os critérios utilizados na escolha das campeãs em retorno ao acionista, terem apresentado o melhor resultado dentre das companhias listadas no Novo Mercado e no Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa.

Em meio à maior crise financeira internacional das últimas décadas, a companhia conseguiu bons resultados, mantendo a distribuição de dividendos em níveis elevados. Também apresentou baixa oscilação do preço de seus papéis, que subiu 18% no ano passado, enquanto o Ibovespa recuou 41%.

"Apesar da crise, estamos bastante otimistas para este ano e vamos aumentar em 40% nossos investimentos", disse o diretor-presidente da companhia, Alessandro Carlucci, em entrevista concedida à Agência Estado antes do período de silêncio em razão do anúncio de que a companhia estuda a realização de uma oferta secundária de ações.

Parte da explicação da resistência da companhia aos efeitos da turbulência global encontra-se na estrutura de negócio da Natura, baseada na venda direta, modelo que tende a ser alternativa em tempos de desemprego e, nos períodos de crescimento econômico, pode se transformar na segunda fonte de renda das consultoras. Além disso, as vendas apresentam baixo ticket médio, dispensando a necessidade de financiamento, escasso com a crise.

Desempenho

Com bons resultados no ano passado, a Natura pôde distribuir dividendos e juros sobre capital próprio equivalentes a 92,2% do lucro líquido da companhia, o que representou repasse aos acionistas de R$ 499,7 milhões.

A remuneração líquida por ação subiu para R$ 1,15, ante R$ 0,95 de 2007. Já a valorização dos papéis da Natura em 2008 contribuiu para que a relação entre o preço e o valor patrimonial por papel ficasse em 11,7 vezes, indicando que os investidores têm uma elevada percepção de valor da empresa.

Investimentos

Para este ano, a Natura pretende continuar investindo e reservou R$ 140 milhões. O objetivo é aumentar a capacidade produtiva da fábrica de Cajamar (SP), desenvolver novos produtos e investir em tecnologia da informação. A empresa planeja ainda manter o porcentual de aproximadamente 3% da receita líquida alocados exclusivamente para inovação.

Em 2008, os maiores investimentos na inovação de produtos foram destinados ao lançamento das linhas Naturé, Tododia e Amor América. Para concentrar esforços nos produtos de maior representatividade nas vendas, a empresa reduziu de 930 para 739 o total de itens do portfólio.

Marketing

Além dos aportes na ampliação da capacidade produtiva e em inovação, a Natura colocou em prática no início do ano passado um plano que prevê investimento adicional de R$ 400 milhões em marketing no triênio 2008/2010. Estes recursos se somam aos valores normalmente aplicados em marketing, que são guardados estrategicamente em segredo.

Os resultados do plano devem ficar mais evidentes este ano, quando os aportes devem ser acelerados. Do total de R$ 400 milhões previstos para o triênio, apenas R$ 100,7 milhões foram efetivamente gastos até o final do primeiro trimestre deste ano.

"Esses investimentos serão gradualmente aplicados, conforme os lançamentos", explica Carlucci. A intenção da Natura é recuperar participação de mercado - sobretudo em relação a maior concorrente, a Avon - e reduzir o peso das promoções e dos descontos nos produtos vendidos. Em 2008, a fatia de mercado da empresa caiu 0,6 ponto porcentual, para 21,5%, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec).

Outra iniciativa da empresa no ano passado foi colocar em prática um plano de reestruturação, que enxugou mais de 200 cargos administrativos e financeiros, para tornar a empresa mais ágil. "Nos últimos anos, a estrutura da Natura havia crescido desorganizadamente." Um dos resultados da iniciativa foi a criação de onze unidades de negócios, responsáveis pelo desenvolvimento de produtos e gestão das marcas. "Os executivos passaram a ficar mais próximos dos clientes e das necessidades das consultoras, dos consumidores finais e dos fornecedores", afirma Carlucci.

Modelo exportação

A expectativa da empresa é de que esse modelo seja replicado no exterior nas unidades em consolidação (Argentina, Chile e Peru) e em implementação (México, Venezuela e Colômbia). Segundo o executivo, a ideia é aproximar os produtos da realidade das consumidoras destes países. "Queremos tratar os países da América Latina como unidades mais autônomas. Estamos estudando, inclusive, instalar fábrica em outro país ou terceirizar a produção", diz.

Sem dizer qual país receberá o investimento, o executivo admitiu que o México é um bom candidato em razão da sua distância geográfica em relação ao Brasil. "Além do menor custo, podemos reduzir a emissão de carbono no transporte desses produtos", afirma. A decisão, segundo ele, será tomada até o final do ano.

Assim como no Brasil, o consumo de cosméticos, fragrâncias e produtos de higiene pessoal vem se mostrando resistente aos efeitos da crise internacional na América Latina. Nos mercados em consolidação da Natura, foi registrado crescimento de 53,9% na receita líquida nos três primeiros meses de 2009, enquanto que o número de consultoras subiu 26,6%, para 90 mil. Já nos países com as operações em implementação, a receita no período avançou 84,8% e o total de consultoras atingiu 30 mil, o que representou acréscimo de 51,3% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

O avanço em direção à América Latina busca compensar o adiamento das operações no mercado norte-americano. A decisão, tomada antes do pedido de concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro do ano passado, foi com base na situação do mercado interno dos EUA, que já apresentava sinais de desaceleração. "Íamos entrar esse ano nos Estados Unidos, mas decidimos postergar, sem data definitiva", ressalta. A empresa mantém ainda no exterior, desde 2006, um centro avançado de tecnologia em inovação, em Paris, na França.

Sustentabilidade

Antes de o mercado incorporar ações de sustentabilidade ao valor das empresas, a Natura já era pioneira entre os fabricantes cosméticos no uso de refis em alguns de seus produtos. Medidas como essa, que reduzem 20% em média a necessidade de utilização de recursos naturais nas embalagens, garantiram à companhia o prêmio AE Empresas de Sustentabilidade. "Falta ainda maturidade para o mercado avaliar quanto vale uma empresa que tem práticas sustentáveis, mas é um processo em franca expansão", diz Carlucci.

Para a Natura, listada no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo, a utilização de práticas sustentáveis já é percebida pelo mercado, agregando valor à imagem da empresa diante dos consumidores. "A marca é decisiva no momento da compra. Pela construção da marca, o mercado consegue captar o potencial de valorização da empresa", destaca Carlucci.

Citando levantamento realizado pela LatinPanel, o executivo destaca que no ano passado a marca Natura avançou de 42% para 47% na preferência e na admiração das consumidoras.

A empresa segue firme na meta de reduzir em 33% as emissões de gases do efeito estufa entre os anos de 2007 e 2011. No ano passado, foram eliminadas 3% das emissões, dentro do Projeto Carbono Neutro, criado para reduzir e compensar os gases lançados no meio ambiente ao longo das etapas da cadeia produtiva, como na extração de matérias-primas até o descarte. Em práticas sustentáveis, a Natura prevê investir em 2009 algo próximo a R$ 50 milhões. "Esses investimentos incluem apenas os gastos adicionais aos obrigatórios por lei", explica.

Entre as principais iniciativas propostas e implementadas pela Natura em 2008 estão a redução do impacto ambiental médio das embalagens, o aumento para 13% da reciclagem de materiais pós-consumo e a participação acima de 18,5% do uso de refis sobre os itens faturados no Brasil. Outras metas cumpridas foram a redução de 8,9% do consumo de água, de 16,9% de energia e de 10% dos resíduos. "Sabemos que nossos produtos precisam ter qualidade e preço adequado, mas mantemos constantemente a preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente", observa Carlucci.

Novo Mercado

A evolução de suas práticas de governança corporativa garantiu à Natura também a premiação Destaque Novo Mercado. A categoria da premiação foi criada pela Agência Estado para homenagear as empresas que adotam as melhores práticas de governança corporativa.

A Natura, que se tornou símbolo da retomada do mercado acionário com a oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) em 2004, foi também uma das pioneiras entre as companhias de capital fechado a contratar auditoria externa (1989) e a emitir relatório de administração (2001). "Antes mesmos de abrirmos nosso capital, já editávamos um relatório anual. Muitas vezes passamos mais informações do que realmente a legislação obriga", destaca o diretor-presidente da companhia, Alessandro Carlucci.

No ano passado, a Natura passou por um processo de reestruturação que reduziu os níveis hierárquicos, deixando a empresa mais ágil e mais próxima aos stakeholders (consultores, consumidores finais e fornecedores). Com isso, os stakeholders passaram a acompanhar mais ativamente a gestão dos negócios. "Entendemos que este é o momento certo para começarmos a nos estruturar para um novo ciclo de crescimento e, para tanto, sabemos que é fundamental ouvir e entender as necessidades de todos aqueles que se relacionam conosco", disse.

Segundo ele, as iniciativas implementadas a partir de 2008 vão manter a retomada do crescimento e da evolução do modelo de gestão dos próximos anos. "Começamos um novo ciclo de expansão, com uma empresa cada vez mais inovadora, produtiva e ajustada", reiterou Carlucci. A Natura debate trimestralmente as práticas de governança corporativa e as operações do negócio dentro do conselho de administração, composto pelos três sócios-fundadores e quatro conselheiros externos independentes - que não ocupam qualquer cargo executivo internamente.

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