18/06/2009

Tractebel, 7ª colocada, acelera crescimento

Empresa consolida-se como a maior geradora privada de energia ao realizar fortes investimentos em 2008, sem perder capacidade de distribuir dividendos

Por Tatiana Freitas

 

Ao aliar pesados investimentos e um elevado nível de pagamento de dividendos, a Tractebel Energia assegurou a sétima posição na premiação Destaque Agência Estado Empresas. A maior geradora privada de energia elétrica do Brasil investiu R$ 1 bilhão em aquisições em 2008 e pagou o equivalente a R$ 1,16 por ação em dividendos, o que representa 68% do lucro líquido no período. Embora menor do que o payout de 95% dos anos anteriores, o índice de 68% ainda é considerado elevado para os padrões gerais do mercado, garantindo a atratividade do papel. No ano passado, as ações ordinárias da Tractebel acumularam queda de 5%, segundo dados da Economática, ante desvalorização de 41% do Ibovespa.

"Temos compromisso de pagar, no mínimo, 55% do lucro em dividendos. Em 2007, pagamos o equivalente a 95%, porque os nossos investimentos estavam baixos. Como fizemos muitos aportes no ano passado, conseguimos fazer o pagamento de 68%", afirma o diretor presidente da Tractebel, Manoel Zaroni.

Para 2009, ele admite a possibilidade de uma nova redução, refletindo a maior necessidade de caixa e o pagamento de dívidas no curto prazo, que ao final de março somavam R$ 1 bilhão. Mas a elevada participação do acionista nos ganhos da empresa deve ser assegurada. "A minha proposta é manter, no mínimo, o pagamento de 55%", diz.

No ano em que comemorou dez anos de existência, a Tractebel consolidou sua posição como líder em geração no setor privado, atrás somente da estatal Eletrobrás, ao comprar seis usinas com capacidade instalada total de 290 MW: a hidrelétrica Ponte de Pedra (aquisição iniciada em 2007 e concluída em 2008), as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) José Gelazio da Rocha e Rondonópolis (ambas em MT) e Areia Branca (esta última em construção, em MG), e as eólicas Beberibe (CE) e Pedra do Sal (PI).

Além das aquisições promovidas pela geradora, 2008 teve como destaque a vitória da controladora da Tractebel, a franco-belga GDF Suez, no leilão da usina hidrelétrica de Jirau, do rio Madeira (RO), um dos acontecimentos mais importantes do setor em 2008. A usina está em construção pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), formado pela Suez (50%), Camargo Corrêa (10%), Eletrosul (20%) e Chesf (20%). O empreendimento deve entrar em operação em 2012, quando deve ser transferido para a Tractebel, que pagará à controladora pela participação.

A vitória da Tractebel, em parceria com a Açúcar Guarani, no leilão de energia de reserva, em agosto, foi outro acontecimento apontado por Zaroni como destaque em 2008. As duas empresas venderam, na ocasião, 20 Megawatts médios - energia que será produzida por uma usina movida a partir de bagaço de cana a ser instalada em Pitangueiras (SP).

Integrante do setor considerado como o mais defensivo da Bolsa, o fato de a Tractebel ter o seu portfólio diversificado, na avaliação de Zaroni, faz com que a companhia seja ainda mais resistente à crise econômica do que alguns de seus pares. "Estamos presentes em geração térmica, hidrelétrica e, por estarmos muito contratados e termos um portfólio diversificado, somos bem resistentes à crise", avalia Zaroni.

Em 2008, as distribuidoras tiveram uma participação de 50% nas vendas contratadas da Tractebel, enquanto as comercializadoras responderam por 19% e os clientes livres, por 30%. Neste último segmento, a companhia procura diversificar suas vendas entre indústrias de diferentes setores, na tentativa de minimizar riscos.

O executivo lembra também que, em razão da alta disponibilidade das usinas, a empresa pôde aumentar a sua oferta no mercado à vista, o que alavancou o seu resultado operacional em 2008. "Tivemos um desempenho no mercado spot excepcional, ele contribuiu muito para que tivéssemos um salto nos nossos resultados", afirma. Em 2008, a Tractebel alcançou o maior lucro líquido de sua história, da ordem de R$ 1,1 bilhão, representando uma alta de 6,6% em relação ao ano anterior.

Para 2009, a expectativa é de manutenção do bom desempenho, com uma leve queda nas vendas em resposta à desaceleração no ritmo de atividade econômica. "Esperamos uma queda de 11% no consumo industrial. Como ele representa 30% do nosso portfólio, calculamos uma redução de 3,3% nas vendas totais", revela o diretor presidente.

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