18/06/2009

Telefônica leva 8ª posição e investe contra concorrência

Boa pagadora de dividendos e com baixa volatilidade de seus papéis, a concessionária de telefonia assumiu a oitava posição no Ranking Agência Estado Empresas

Michelly Chaves Teixeira

 

Depois de os oito primeiros meses de 2008 terem sido excepcionais para o mundo corporativo, o solavanco da crise financeira global no último trimestre do ano restringiu a poucas empresas o mérito de bons resultados financeiros. A Telefônica foi uma delas. Oitava colocada no prêmio Destaque Agência Estado Empresas, a concessionária colecionou alguns dos atributos mais procurados por investidores defensivos: bom pagamento de dividendos, boa valorização dos papéis e baixa volatilidade, a despeito do cenário econômico conturbado.

A forte geração de caixa, além de seu baixo nível de alavancagem, fazem da Telefônica um investimento de menor risco, quesito bastante valorizado em tempos de incertezas. Isso sem falar nos dividendos. Desde 2003, o grupo tem distribuído mais de 100% de seu lucro líquido sob a forma de dividendos. Esta é uma forma de remeter recursos à Telefónica de España, dona de 87,95% do capital da subsidiária. Analistas calculam que o prêmio (dividend yield) a ser pago em 2009, referente aos proventos do ano passado, fique entre 10% e 11%.

Embora o solavanco da crise financeira tenha sido menor para as teles do que para setores industriais, a Telefônica encontrou no ano passado um ambiente competitivo bastante hostil. Além do lançamento de tecnologias que vieram a competir com seus produtos, como a banda larga de terceira geração (3G) das celulares, a concessionária viu nascer com a consolidação Oi/Brasil Telecom um novo competidor de peso.

Para o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, "pode até ser que venha a se materializar", neste ano, algum impacto da oferta da Oi nos negócios da concessionária paulista, já que sua concorrente agora oferece internet móvel 3G no Estado de São Paulo, complementando os serviços de telefonia celular que passou a oferecer na região desde setembro de 2008. Porém, para enfrentar este competidor "extremamente forte", nas palavras de Valente, a Telefônica responderá com "produtos inovadores", além de planos de serviços adequados aos mais variados perfis de renda.

"De qualquer forma a competição é bem-vinda, pois leva ao aprimoramento das soluções comerciais e técnicas do prestador de serviços, e quem ganha com isso é a sociedade", avalia. Valente afirma estar pronto para uma disputa mais acirrada entre as teles. Também se diz preparado para o caso de o consumidor ficar mais retraído e, com isso, a receita média por assinante (ARPU, no jargão do setor) ceder, a exemplo do que aconteceu neste primeiro trimestre. "A queda (do consumo de serviços de telecomunicações) não foi forte como em outras indústrias, mas as empresas cada vez mais têm de trabalhar com ofertas mais inovadoras, não só em termos tecnológicos, mas também com planos adequados à situação do assinante", destaca.

Outro ponto no radar da empresa é buscar evolução constante de sua rede para evitar apagões como o ocorrido agora em junho, que deixou mudas linhas de telefonia fixa. Outras três panes ocorreram no início deste ano, atingindo os serviços de banda larga. Além disso, em 2008 usuários de quase todo o Estado de São Paulo ficaram sem internet por 36 horas.

Além de um pesado cronograma de investimentos - para este ano estão previstos R$ 2,4 bilhões, pouco acima dos R$ R$ 2,3 bilhões de 2008 -, a Telefônica tem batalhado duas frentes de atuação para reter e atrair clientes. Uma é chamando a atenção do consumidor de menor renda, oferecendo planos alternativos de minutos. Agora, com a ajuda de governos estaduais para redução do ICMS, entre eles o de São Paulo, a empresa se prepara para colocar na prateleira serviços de internet a preços módicos, aumentando o potencial de engordar sua carteira de clientes.

A outra estratégia compreende o lançamento de serviços de valor agregado. A empresa lançou no começo deste ano seu serviço de TV paga via fibra óptica em bairros abastados da capital. A rede também permite conexões à internet em velocidades de até 30 mega. Para reter clientes e diversificar suas fontes de receita, a companhia também decidiu lançar serviços de automação comercial. A ideia da concessionária é fazer com que todos os dispositivos eletrônicos de uma casa ou escritório "conversem" entre si, usando como veículo a rende de banda larga. Na infindável batalha para conquistar assinantes, vale atuar em todos os flancos.

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