18/06/2009
Com caixa, acesso a crédito e preços de ativos em baixa, estatal mineira busca novas compras para conquistar fatia de 20% nas três áreas de energia onde atua
Por Natalia GómezA estatal mineira Cemig, uma das maiores empresas de energia do Brasil, ocupa a nona posição no prêmio Destaque Agência Estado Empresas, pelo bom desempenho de suas ações nos critérios volatilidade e liquidez. Conhecida pelo seu papel de consolidadora do setor elétrico brasileiro, a Cemig mostrou um forte apetite para aquisições nos últimos anos, com a compra da Light, da Terna Participações e da Transmissoras Brasileiras de Energia (TBE), que reúne cinco empresas de transmissão. A estratégia garantiu musculatura para a empresa enfrentar a crise iniciada no final do ano passado com baixos custos e menores riscos.
Segundo o presidente da companhia, Djalma Morais, o interesse da Cemig em aquisições ficou ainda mais forte no cenário atual porque a crise gera oportunidades de negócios a preços mais baixos. "Temos caixa, crédito e estamos em uma crise. O momento é agora", diz. No final do ano passado, o caixa da companhia era de R$ 2 bilhões, graças à política de restringir em 50% a distribuição do lucro líquido aos acionistas, porcentual semelhante ao de 2007, mas bem abaixo dos 80% de 2006.
Mesmo estando em busca de ativos que agreguem valor ao seu negócio, Morais afirma que a Cemig tende a ser bastante criteriosa nas aquisições devido ao compromisso com os seus acionistas de garantir a boa saúde financeira no longo prazo.
Antes do anúncio da compra da Terna, a estatal também era apontada como a possível compradora dos ativos da espanhola Endesa no Brasil, que incluem as distribuidoras Ampla, no Rio, e Coelce, no Ceará. Recentemente, a companhia desembolsou R$ 213 milhões na compra de três usinas eólicas no Ceará. Em 2006, a empresa participou do consórcio que comprou o controle da distribuidora carioca Light, até então pertencente à francesa EDF. A Cemig também esteve interessada em participar, em 2008, do leilão de venda da Cesp, apesar de uma lei de São Paulo vetar a participação de estatais de outros Estados no processo.
O próximo alvo da empresa é a Companhia Energética de Brasília (CEB), controlada pelo governo do Distrito Federal, com 92% de participação. De acordo com Morais, o processo de auditoria da CEB já está em andamento e uma proposta oficial deve ocorrer entre 30 e 60 dias. As empresas já trabalharam juntas na construção da Usina Hidrelétrica de Queimados, em Minas Gerais, que tem gestão compartilhada.
Atualmente, a Cemig tem uma participação de 12% no setor de distribuição de energia, 12% em transmissão e 7% em geração. Sua meta é atingir uma fatia de 20% nestes três segmentos. Para Morais, a atuação em toda a cadeia aumenta a confiança dos consumidores e dos investidores na empresa em comparação com os seus concorrentes. Outra vantagem desta diversificação é reduzir o peso da distribuição nos negócios da Cemig, uma vez que este setor é menos previsível do que os setores de transmissão e geração, que têm receitas garantidas no longo prazo e custos menores.
No final do ano passado, o segmento de distribuição representava 45,9% do Ebitda da empresa; a geração somava 44,4% e a transmissão representava 6,6%. Com a compra da Terna, que deve ser concluída em setembro, a participação do negócio de transmissão no Ebitda da companhia deve crescer dos atuais 6,6% para 17,6%. A distribuição cairá para 40,5% e a geração passará para 39,2%.
Em relação ao bom desempenho da empresa em 2008, o executivo destacou que as negociações com os papéis da Cemig movimentaram em média R$ 60 milhões por dia no ano passado, os colocando entre os mais negociados. Mesmo com a forte queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que caiu 41% no ano passado, as ações preferenciais da Cemig conseguiram uma valorização de 4,9% no ano.
No ano passado, o lucro líquido da empresa cresceu 8,28% ante 2007, passando de R$ 1,74 bilhão para R$ 1,88 bilhão. A receita líquida subiu 6,29% ante o ano anterior, passando de R$ 10,2 bilhões para R$ 10,8 bilhões, enquanto o Ebitda teve alta de 0,92% para R$ 4,09 bilhões. As vendas consolidadas de energia tiveram um avanço de 1,1% sobre o ano anterior, entre vendas para consumidores finais e outras concessionárias. Segundo o executivo, a companhia se beneficiou porque tinha quase toda sua energia vendida no ano passado e uma carteira de clientes suficiente para absorver eventuais cancelamentos de contratos. "Mesmo que um cliente tenha devolvido a energia, tivemos condições de absorver este excedente e vender no mercado", afirma.