18/06/2009
Para companhia, valor das ações reflete a produção de resultados consistentes e a capacidade da administração em continuar a produzir resultados
Natalia GómezO ano de 2008 foi atípico na história recente da CPFL Energia. Após resultados crescentes e consistentes desde a abertura de capital em setembro de 2004, a maior empresa privada do setor elétrico brasileiro amargou queda de 22,2% no lucro de 2008, para R$ 1,276 bilhão, em razão da revisão tarifária das distribuidoras do grupo. Isso, porém, não impediu que a elétrica conquistasse a décima posição na premiação Destaque Agência Estado Empresas, uma clara demonstração que investidores e acionistas permanecem com uma visão otimista sobre o futuro da companhia.
Para o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Júnior, o mercado absorveu de maneira adequada as informações reportadas pela empresa sobre o processo de revisão tarifária conduzido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para as oito distribuidoras do grupo, segmento que representava 70% no Ebitda da holding no início de 2008. "Isso já era esperado pelo mercado. Nos últimos quatro anos, apresentamos um desempenho positivo. O corte nas tarifas é maior para quem foi mais eficiente no período", explica o executivo.
Prova de que a CPFL Energia continua bem avaliada pelo mercado, na avaliação do executivo, foi o desempenho das ações da companhia em 2008 em meio à crise internacional. Se a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sofreu expressiva queda de 41,2%, as ações ordinárias da empresa recuaram apenas 3,4%, performance melhor também que a retração de 11,6% do Índice de Energia Elétrica (IEE) no período.
Para Ferreira Júnior, o valor das ações reflete sobretudo dois fatores: a produção de resultados consistentes nos últimos anos e a capacidade da administração em continuar a produzir resultados para os seus acionistas. "Nesse último aspecto, a governança corporativa é fundamental", diz.
Segundo ele, poucas empresas no mercado de capitais levam tão a série os critérios de governança corporativa, a começar pelo fato de ser a única elétrica listada no Novo Mercado da Bovespa e no ADR nível III da Bolsa de Nova York.
A empresa também mantém uma política estável de dividendos, distribuindo 95% do lucro líquido desde a abertura de capital. Em relação ao exercício do ano passado, o montante pago é de R$ 1,2 bilhão. Desde 2004, a elétrica já pagou R$ 5,1 bilhões aos acionistas em proventos.
"Nesse período, o acionista recebeu 65% do valor investido na compra da ação da CPFL na abertura de capital", afirma Ferreira Júnior. No ranking, a CPFL Energia se destacou nos critérios de preço sobre o valor patrimonial das ações (P/VPA), dividendos sobre o patrimônio líquido e oscilação dos papéis.
Além dos ajustes nas tarifas de distribuição, 2008 também consolidou o fim de um ciclo de investimentos em geração. Isso porque a empresa iniciou a operação das hidrelétricas Castro Alves e 14 de Julho, restando apenas a conclusão das obras da usina Foz do Chapecó, prevista para entrar em funcionamento em 2010. "Com esses novos projetos, alcançaremos uma potência instalada de 2,2 mil MW, quase a capacidade da Duke Energy no País", compara. Com as novas usinas, a participação da geração no Ebitda passou de 16% para 23% em 2008.
Para o futuro, o executivo diz que a CPFL Energia seguirá duas linhas de crescimento. A primeira delas é a expansão na distribuição, na qual a empresa detém 14% de participação de mercado e atende a 6,5 milhões de clientes nos Estado de São Paulo e Rio Grande do Sul. "Temos a distribuição em nosso DNA", diz.
O foco prioritário de crescimento da companhia são os Estados da região Sul e São Paulo. "Uma empresa com DNA de distribuição não pode dizer que ativos em outras regiões do País, como o Nordeste, não interessam. Porém, a criação de valor adicional está nas operações no Estado de São Paulo para baixo", explica Ferreira Júnior.
A outra vertente de crescimento será a geração. A empresa planeja disputar a licitação da usina Belo Monte (PA), com 11 mil MW de capacidade. "Se quisermos crescer em geração, precisamos estar neste projeto", disse. A CPFL Energia, inclusive, já montou um grupo de trabalho para estudar a hidrelétrica.
Paralelamente, a empresa tem planos para investir em fontes alternativas, notadamente Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) e térmicas a biomassa do bagaço de cana-de-açúcar. "Com isso, queremos suprir os clientes que só podem se tornar livres se consumirem energia de fontes alternativas", diz. Hoje, a empresa tem 500 MW em projetos de fontes alternativas em avaliação. Uma térmica a biomassa de 45 MW de potência já está em construção, em parceria com o grupo sucroalcooleiro Baldin.