19/05/2010
Carteira de crédito do banco cresceu 42,4% em relação ao ano anterior
Altamiro Silva Júnior
O Banco Cruzeiro do Sul, focado em empréstimos para pessoa física com desconto em folha de pagamento, sobreviveu à maior crise financeira do mundo nos últimos 70 anos. No ano passado, conseguiu transformar prejuízo em lucro e, com isso, melhorar sua rentabilidade sobre o patrimônio em 33 pontos porcentuais. O indicador, que era negativo em 15,2% em 2008, passou para 17,5% em 2009. O banco foi o décimo colocado no prêmio Destaque Agência Estado Empresas 2010, relativo a 2009, que avaliou 202 companhias.
Além da forte variação na rentabilidade patrimonial, o Cruzeiro do Sul também se destacou no pagamento de dividendos e teve baixa volatilidade nas ações, segundo os critérios do ranking AE, que procuram selecionar as companhias que apresentaram o melhor desempenho em 2009 do ponto de vista do acionista. Desde que abriu o capital, em 2008, já fez nove pagamentos de dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas, totalizando R$ 222 milhões.
"Sempre tentamos fazer uma política para beneficiar nossos acionistas, para que quem investiu no banco não tenha as expectativas frustradas", afirma Luiz Felipe Índio da Costa, presidente do conselho de administração. No ano passado, as ações do banco subiram 154% e o Cruzeiro do Sul fechou o ano com mil acionistas, boa parte deles estrangeiros.
O ano de 2009 não foi um fácil. O banco vinha de um prejuízo de R$ 130,6 milhões em 2008 e um cenário ainda adverso para o crédito e captações no mercado. Índio da Costa divide o ano passado em dois momentos distintos. Nos primeiros meses do ano, afetado pela crise financeira mundial, os números não foram bons. Inadimplência subindo, mercado externo fechado para novas captações e liquidez em baixa também no mercado doméstico afetaram as operações do banco.
A partir do final do segundo trimestre, o cenário mudou, conta Índio da Costa. "Conseguimos dar a volta por cima e as coisas melhoraram", diz. A liquidez, do mercado interno e externo, começou a melhorar e a concessão de crédito foi retomada, em meio a incentivos fiscais do governo para a compra de carros e eletrodomésticos e às medidas de incentivo do Banco Central.
A carteira de crédito (excluindo as cessões de empréstimos) do Cruzeiro do Sul terminou o ano em R$ 4,553 bilhões, expansão de 42,4% ante 2008. Mas o impacto da crise nas operações afetou os ganhos do banco. O lucro líquido caiu 54% em 2009, para R$ 81,9 milhões.
Para 2010, o executivo evita dar previsões, mas diz estar mais otimista. Por conta do período de silêncio em razão de uma oferta de ações em andamento na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Índio da Costa não fala de projeções. Diz que o mercado de crédito brasileiro melhorou e a perspectiva é que continue assim. "A crise na Europa ainda tem consequências difíceis de serem avaliadas, mas vai exigir sacrifícios", diz ele. Segundo o executivo, por enquanto não houve nenhum impacto no mercado local.
O principal negócio do Cruzeiro do Sul é o crédito consignado para funcionários públicos e privados. O banco tem contratos com 2,8 mil entidades. O consignado responde por 91% da carteira de crédito do banco e garante a grande maioria dos 1,3 milhão de clientes da instituição. A tendência é que essa participação continue assim. "É o que sabemos fazer de melhor", diz o presidente do conselho do banco.
Dentro do consignado, a aposta foi nos cartões de crédito com desconto em folha, lançados em parceria com a bandeira Visa. Já foram emitidos 383 mil plásticos e o maior uso deles é em pequenos comércios e farmácias. Já nas novas áreas de atuação, o Cruzeiro do Sul começou a operar em 2009 no mercado de câmbio, atuando com venda de papel moeda, mercado interbancário, exportação e importação.