19/05/2010

Estabilidade é a chave do sucesso da AES Tietê, a 6ª colocada

Situação financeira confortável permitiu a distribuição 100% do lucro em dividendos

Wellington Bahnemann

 

Previsibilidade e estabilidade. Estas palavras, essenciais em tempos de crise econômica, são a chave do sucesso da geradora AES Tietê, sexta colocada no prêmio Destaque Agência Estado Empresas 2010, relativo ao ranking de 2009. "Como a empresa está com a energia assegurada, totalmente contratada com a AES Eletropaulo até 2015, há uma estabilidade na linha da receita", diz o presidente do grupo AES Brasil, Britaldo Soares. Hoje, com uma capacidade instalada de 2,65 mil MW, a empresa é a décima geradora do País e a segunda maior do setor entre as companhias privadas.

Com a receita garantida, Soares afirma que em 2009 a AES Tietê se concentrou na eficiência operacional dos ativos, com o objetivo de ampliar a rentabilidade da companhia. "O foco foi a continuidade da melhoria operacional, com vistas a incrementar o resultado e o retorno aos acionistas", explica o executivo. De fato, a geradora reportou um aumento de 12,7% no lucro de 2009 ante 2008, para R$ 780,2 milhões. A confortável situação financeira - aliada aos baixos investimentos - permitiu à empresa distribuir 100% do lucro de 2009 em dividendos.

É justamente a remuneração estável que investidores de longo prazo procuram, principalmente em momentos de incerteza como ocorreu em 2009. Essa característica explica o bom desempenho da AES Tietê em critérios do ranking Agência Estado, elaborado em parceria com a Economática, por exemplo, preço sobre o valor patrimonial das ações (P/VPA), volatilidade e dividendos sobre patrimônio líquido (neste indicador, a companhia ficou em primeiro lugar entre 202 empresas avaliadas). Isso mostra que o mercado acredita que a AES Tietê tem um valor superior ao patrimônio e que proporciona um alto retorno ao acionista com os dividendos.

Outra atividade relevante realizada pela companhia em 2009 foi o início do desenvolvimento de uma termelétrica a gás natural no Estado de São Paulo, de 500 MW. O projeto tem como meta permitir o cumprimento da obrigação assumida com o governo paulista na privatização da Cesp Tietê, adquirida pela americana AES em 1999. Pelas regras do edital, a Tietê deveria ampliar em 15% (400 MW) o seu parque gerador no Estado até 2007, o que não ocorreu - na época, a empresa alegou que a mudança das regras do setor elétrico em 2004, a falta de gás no País e a escassez de aproveitamentos hídricos em São Paulo impediam o cumprimento da exigência.

"O ano de 2009 foi focado em desenvolver o projeto, identificar o local e realizar a análise técnica e preparatória para a implementação de uma usina dessa ordem", afirma o executivo. Este ano, a AES Tietê iniciou o processo de licenciamento ambiental do empreendimento. Em paralelo, a companhia estuda a construção de duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) no Estado de São Paulo, somando 30 MW, para cumprir a meta de expansão de 15% do parque gerador.

Com a questão de São Paulo praticamente equacionada, Soares diz que o grande desafio da AES Tietê está na expansão de suas operações. Diante da crescente demanda por energia no País, a companhia planeja novos investimentos em térmicas a gás e em hidrelétricas de médio porte, sendo que o foco para esta fonte está fora do Estado de São Paulo. "Nós sabemos que o potencial hidrelétrico do País está localizado no Centro-Oeste e no Norte", afirma. A geradora demonstra interesse pelas hidrelétricas do Rio Tapajós (PA) e do Rio Teles Pires (MT).

A retomada dos investimentos, no entanto, pode ter impacto na distribuição de dividendos aos acionistas. "À medida que tenhamos investimentos importantes daqui para frente, realizaremos o ajuste. Não vamos alterar a política de distribuição sem uma razão fundamentada", justifica o executivo. Segundo Soares, a AES Tietê levará em consideração o resultado da companhia e a disponibilidade de caixa para o pagamento de proventos. Apesar da sinalização de mudanças no futuro, o executivo pondera que a geradora possui alta liquidez e um baixo endividamento - a relação dívida líquida/Ebitda é de 0,3 vez, com espaço para ampliar a alavancagem.

No médio prazo, outro desafio da AES Tietê é definir uma nova estratégia de comercialização para a oferta vendida à AES Eletropaulo, cujo contrato vence ao final de 2015. Por se tratar de uma energia velha, a geradora só pode negociar essa oferta no mercado cativo em leilão a ser realizado em 2015, algo que pretende evitar. "Estamos concluindo o que vamos fazer e ajustando uma estratégia que considere o mercado livre", diz. O que Soares quer evitar é que em 2016 a empresa tenha um volume grande de energia descontratada. Em 2003, as duas empresas assinaram um aditivo estendendo o contrato até 2028, mas o acordo não é reconhecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que motivou uma discussão na Justiça.

 

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