19/05/2010
Após vencer a crise com gestão mais eficiente, companhia volta a pensar em aquisições
André Magnabosco
Ênfase na gestão. Foi com essa estratégia que a Diagnósticos da América (Dasa) conseguiu superar as adversidades da crise mundial e alcançar a quarta colocação do prêmio Destaque Agência Estado Empresas de 2010, referente ao ranking de 2009. A maior prestadora de serviços de medicina diagnóstica da América Latina atuou em diversas frentes, da renegociação de contratos com fornecedores ao fechamento de unidades, para garantir às suas ações a atratividade esperada pelos investidores. O resultado foi visto no final do ano, quando apurou lucro líquido de R$ 129,5 milhões ante prejuízo de R$ 13 milhões em 2008, e suas ações apresentaram valorização acumulada de 151,1% no período.
A busca por eficiência e ganho operacional ocorreu em meio a um período marcado por mudanças, não apenas na economia global, mas também dentro da própria Dasa. A mais emblemática delas foi a saída de Caio Auriemo, fundador da companhia, da presidência do Conselho de Administração. Responsável por viabilizar a abertura de capital da empresa, operação ocorrida em 2004, Auriemo foi substituído por Alexandre Saigh em abril do ano passado. A mudança marcou a última etapa do processo de profissionalização da empresa, que até o início da década se chamava Delboni Auriemo.
No campo operacional, o desafio era fazer frente ao ambiente adverso pelo qual passou a economia brasileira entre o final de 2008 e os primeiros meses de 2009. Reflexo da crise, a valorização do dólar pressionou as margens da companhia, que tem aproximadamente 15% dos custos atrelados à moeda estrangeira. "Era um desafio grande, o que nos levou a iniciar um processo de negociação de preços e troca de fornecedores", afirma o presidente da Dasa, Marcelo Noll Barboza, que promoveu, inclusive, a importação direta como alternativa para reduzir custos.
Foram medidos os resultados em todas as unidades. "Começamos a fazer uma gestão de portfólio de unidades e produtos, buscando a lucratividade por unidade e linha de serviço", destaca Barboza. A partir desse mapeamento, a companhia buscou opções para ampliar as margens de cada unidade e, nos casos em que a alternativa não se mostrava viável, a decisão foi por seu fechamento. Os clientes, destacou o executivo, passaram a ser atendidos por unidades próximas.
Outra frente que recebeu atenção especial da direção da Dasa foi a incorporação de empresas controladas, casos da Clínica Médica Vita e do Laboratório Louis Pasteur Patologia Clínica, entre outros. "Começamos a fazer esse trabalho em setembro e isso já trouxe benefícios para a empresa no ano passado e deve trazer novos ganhos neste ano", diz Barboza.
Novas compras
Após avançar nessas áreas, o executivo acredita que chegou o momento de a Dasa voltar a analisar oportunidades de aquisição no mercado. "No ano passado, principalmente no segundo semestre, focamos as atenções em iniciativas de eficiência operacional. Mas em 2010, desde o início do ano, voltamos a olhar de forma mais intensa para oportunidades de aquisição", afirma.
Barboza acredita que a companhia poderá efetuar entre uma e duas compras de empresas ao longo de 2010. A prioridade, revela o executivo, é ingressar em regiões onde ainda não atua. A Dasa está presente nos três Estados da Região Sul e nos quatro Estados do Sudeste, além de Bahia, Goiás (incluindo Brasília), Mato Grosso, Tocantins e Ceará.
Beneficiada ainda pela aquisição de empresas como a Unimagem, realizada em 2008, a Dasa apresentou expansão de 21,9% na receita bruta de 2009, para R$ 1,508 bilhão. O resultado ficou no centro das previsões da companhia, que estimava crescer entre 18% e 24% em 2009 na comparação com 2008. Essa expansão, explica o executivo, foi alavancada pelo trabalho da companhia na área de prestação de serviços a laboratórios terceiros e à esfera pública. "Foi essa diversificação da receita que nos ajudou a ter um ano de 2009 blindado de crise", afirma o executivo.