20/05/2010

Loyola defende medidas para conter economia

Superaquecimento põe em risco as contas externa, diz economista

Francisco Carlos de Assis

 

O ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola, disse que o governo precisa tomar medidas para evitar um superaquecimento da economia brasileira, o que poderia pôr em risco as contas externas. Na avaliação do economista, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve ter crescido em torno de 10% no primeiro trimestre, número que coincide com a projeção divulgada pela autoridade monetária.

A principal medida para conter o crescimento econômico, na opinião do economista que esteve presente na entrega do prêmio Destaque Agência Estado Empresas, seria a retomada do superávit primário à proporção 3,5% do PIB. Para isso, destacou, o governo precisaria "deixar de maquiar os dados", propondo, por exemplo, descontos dos investimentos feitos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ele descarta que, nos próximos trimestres, a economia cresça na mesma intensidade dos primeiros três meses do ano. Isso porque a base de comparação de 2009 foi muito baixa, em virtude da crise financeira mundial. Conforme o ex-presidente do BC, considerando todo o ano de 2010, a economia brasileira deve expandir-se à razão de 6,5%.

O economista também elogiou o trabalho que vem sendo feito pelo BC, que na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em 0,75 ponto porcentual a taxa Selic, de 8,75% para 9,50% ao ano. Contudo, ele expressou insatisfação quanto à política fiscal do governo, a seu ver ainda muito expansionista, apesar do anúncio recente de corte de R$ 10 bilhões do Orçamento. Na opinião de Loyola, as políticas fiscal e monetária teriam de correr juntas. Ele acrescentou, ainda, que a previsão da Tendências para a taxa de juro ao final de 2010 é de 11,75% anuais.

Crise na Europa

Sobre a crise fiscal no continente europeu, agravada pela economia grega, o economista acredita que isso só afetaria o Brasil se evoluísse para um quadro de default. “Não sou pessimista quanto à questão europeia, mas não podemos descartar alguns problemas", disse, referindo-se à autonomia dos bancos centrais dos países que compõem o bloco e suas diferenças culturais.

Apesar dos discursos duros da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a necessidade de um ajuste fiscal mais profundo na Grécia, Loyola acha que, no final, algo será feito para evitar a quebra das economias. Isso porque há muita coisa em jogo impedindo que a comunidade europeia permita que os países em dificuldades do bloco quebrem.

 

Copyright © 2010 . Agência Estado, uma empresa do Grupo Estado. Todos os direitos reservados.