20/05/2010

Souza Cruz manterá política de distribuição de dividendos

Investimentos de R$ 2 bilhões previstos para os próximos cinco anos sairão do caixa

Wellington Bahnemann

 

A Souza Cruz não pretende modificar a estratégia de distribuir praticamente 100% do lucro líquido para os acionistas na forma de dividendos em razão do plano de investimentos de quase R$ 2 bilhões para os próximos cinco anos. "Os investimentos serão financiados primordialmente pelo caixa. Temos uma geração de caixa anual de R$ 1,6 bilhão, que é suficiente para as novas necessidades", disse o diretor de Finanças e Relações com Investidores da companhia, Luis Rapparini. Nos últimos 10 anos, a Souza Cruz já distribuiu 8,7 bilhões em remuneração aos acionistas.

Os investimentos previstos para este período serão focados no parque fabril e nas marcas de cigarros. "O ciclo de grandes investimentos foi concluído no ano passado", disse, descartando novos aportes em fábricas. Nos próximos cinco anos, a empresa deve focar os seus esforços no avanço de produtos de maior valor agregado. Entre 2008 e 2009, a Souza Cruz trouxe ao mercado brasileiro as marcas premium Vogue e Dunhill.

"Estamos promovendo uma mudança forte em nosso portfólio, avançando nas marcas premium e investindo em tecnologia e inovação", comentou. Essa estratégia da companhia se mostrou acertada em 2009. Apesar da queda das vendas de cigarro nos mercados interno e externo, o lucro líquido da empresa avançou 18,8% entre 2008 e 2009, de R$ 1,249 bilhão para R$ 1,484 bilhão. "Apesar do resultado, o ano de 2009 foi muito difícil, tanto por conta da crise quanto por conta do aumento da carga tributária do setor.” Com relação a 2010, a empresa está bastante otimista, segundo o executivo.

Câmbio

A empresa deve concluir ainda neste primeiro semestre de 2010 as negociações com os importadores para elevar o preço em dólar dos produtos exportados pela companhia. "Isso permitirá compensar o aumento de custos e desvalorização do dólar neste início de ano", justificou Rapparini.

O câmbio foi um dos fatores que afetou negativamente os resultados da Souza Cruz no primeiro trimestre de 2010, quando o lucro caiu 24% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 334,7 milhões. "O primeiro semestre de 2009 foi muito forte. Isso explica a queda", disse o executivo. O executivo lembrou que a empresa se beneficiou do dólar valorizado no início do ano passado, quando a moeda americana chegou a bater a casa de R$ 2,40. "Hoje, o dólar está em patamar de R$ 1,70, afetando a nossa margem", afirmou.

Nesse contexto, a companhia espera recuperar com o aumento do preço em dólar de suas exportações as perdas provocadas pelo câmbio valorizado. Além disso, esse reajuste permitirá que a empresa repasse parcialmente o incremento nos custos da matéria-prima, o tabaco. "A tabela do preço do fumo teve um incremento de 9%", revelou.

Apesar da perspectiva de melhores preços para exportação, os resultados do primeiro semestre de 2010 ainda serão impactados pelo aumento da tributação do setor ocorrida em 2009. "Os impostos tiveram impacto nos resultados só a partir de julho do ano passado", comentou Rapparini.

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