20/05/2010
Conquistas institucionais foram principal avanço, mas reformas podem representar retrocesso
Francisco Carlos de Assis
Os ganhos institucionais auferidos pelo Brasil na última década foram os pontos de destaque das palestras dos economistas Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e atual sócio da Tendências Consultoria Integrada, e Nelson Barbosa, secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, durante a cerimônia de entrega do prêmio Destaque Agência Estado Empresas.
Barbosa se ateve às conquistas institucionais no âmbito econômico e financeiro na última década. Ele citou a estabilização da economia, a adoção do câmbio flutuante, o estabelecimento das metas de inflação e de crescimento da economia. Loyola, embora tenha admitido os avanços institucionais, se diz preocupado com as ameaças de reformas ou microrreformas que podem vir a remover os avanços institucionais conquistados e citou como exemplo o recente fim do fator previdenciário.
Barbosa, por sua vez, disse que conquistas institucionais deverão ser mantidas nos próximos anos independentemente de quem estará no governo. Na visão dele, o grande mote dos debates eleitorais neste ano será a continuidade do crescimento econômico, que tantas mudanças e benefícios trouxeram à sociedade brasileira. Ao se referir ao futuro, o secretário da Fazenda disse acreditar que a taxa de juros reais deverá cair para o intervalo de 0 a 5% ao ano até 2014.
Loyola disse se sentir desconfortável quando ouve ou lê informações dando conta de que órgãos da imprensa estão sob censura. Loyola destacou o papel da imprensa para a democracia e ressaltou o trabalho da Agência Estado no aperfeiçoamento e na solidificação do mercado de capitais.