Desempenho de 2007 mostra impacto da volatilidade na busca por ações
Nos últimos quatro anos de ganhos constantes no mercado de ações, bastava olhar para as oscilações de cada papel e escolher as maiores variações positivas. Com a volatilidade das bolsas, acentuada desde meados de 2007 em meio ao estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, o investidor passou a buscar empresas mais sólidas, cujas ações apresentem baixa volatilidade e alta liquidez. São as chamadas ações de valor ou velho estoque que, em muitos momentos, podem ficar abaixo do Ibovespa, mas proporcionam retorno certo aos investidores.
O prêmio Destaque Empresas Agência Estado de 2008 mostra as companhias campeãs de retorno aos acionistas no ano anterior, e os motivos que as alçaram ao topo. Elaborado em parceria com a Economática, o prêmio chegou à oitava edição em 2008. Foram avaliadas 161 empresas de capital aberto, com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões. Sete critérios foram elaborados exclusivamente para o ranking.
A lista espelhou a escolha dos investidores por solidez. Embora alguns indicadores utilizados para a classificação das empresas neutralizem o tamanho, das dez premiadas pelo desempenho em 2007, seis estavam entre as 27 maiores do Brasil em valor de mercado, segundo dados da Economática. "Em momento de oscilação intensa na Bolsa, o investidor favorece ações com menos volatilidade e maior liquidez", disse o presidente da Economática, Fernando Exel.
Liquidez e volatilidade são dois dos indicadores utilizados para a elaboração do ranking e, como o investidor privilegiou empresas que apresentavam essas duas características, acabou melhorando outros dois indicadores dessas companhias: a relação preço/lucro e a relação preço/ patrimônio líquido. O resultado foi que as mais conhecidas tiveram maior destaque no ranking.
Com isso, os grandes bancos voltaram à lista das dez primeiras colocadas, com Bradesco e Itaú ocupando posições significativas. Também a primeira colocada era uma das mais antigas empresas brasileiras e uma típica exportadora: a siderúrgica CSN.
Diferentemente do ano de 2006, quando no topo da lista apareceram as companhias voltadas ao mercado interno, no ranking de 2007 não houve um segmento predominante. "Setorialmente, eu nunca havia visto um ranking tão diversificado. O critério do investidor foi escolher ações de empresas com nome reconhecido", avaliou Exel. Tanto que a campeã, a CSN, teve valorização de 157% em 2007.
O receio de enfrentar perdas muito fortes fez com que os investidores fugissem de papéis de empresas novatas, o que causou o adiamento ou mesmo cancelamento de muitas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) programadas.
Sem o apetite do investidor estrangeiro no início do ano, ficou difícil captar recursos no mercado de capitais brasileiro. Isso aconteceu porque o que dava volume às ofertas era o dinheiro que vem do exterior. Segundo dados da Bovespa, os investidores estrangeiros tiveram uma participação de 75,4% no total das distribuições públicas de ações em 2007.
Com a obtenção pelo Brasil da classificação de grau de investimento pela Standard & Poor's (S&P) e, posteriormente, pela agência Fitch, esperava-se que as ofertas de ações voltassem a acontecer, em razão do esperado aumento de fluxo de capital externo para o País. Muitos fundos estrangeiros são proibidos de aplicar seu dinheiro em países considerados de alto risco.
A expectativa era que as empresas e instituições financeiras teriam acesso a recursos mais baratos, fartos e com prazos mais longos. Com isso, poderiam aumentar sua competitividade e ter margens de rentabilidade maiores.
Durante o ano de 2008, a perspectiva era de continuidade do processo de aumento de transparência das empresas, refletido na busca por boas práticas de governança corporativa e de sustentabilidade. A transparência na gestão e a preocupação com a perenidade das operações são uma tendência no mundo corporativo atual. Mais do que isso, passaram a ser uma exigência dos acionistas e de toda a sociedade.
No Novo Mercado, as companhias se comprometem, voluntariamente, a garantir práticas de governança adicionais ao que é exigido pela legislação, o que dá mais segurança ao investidor. A questão ambiental também vem ganhando ganha cada vez mais peso nessa discussão.
Por valorizar iniciativas nestes dois campos, em 2007 a Agência Estado criou duas novas premiações: o Destaque Novo Mercado e o Destaque Sustentabilidade. No primeiro, é reconhecida a empresa que está neste segmento especial da Bovespa e que proporcionou o melhor retorno ao acionista no ano. No segundo, é apontada a companhia da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) que também garantiu melhor retorno. Nos dois casos, para se chegar à melhor rentabilidade, foram adotados os mesmos sete critérios do prêmio Destaque AE Empresas.
Resumo de reportagem publicada, na ocasião da entrega do prêmio ranking Destaque Empresas de 2008. O texto original foi divulgado pelo serviço AE Empresas e Setores, conteúdo noticioso e analítico voltado ao mercado corporativo. Para melhor contextualizar as informações, a edição alterou os tempos verbais e atualizou o texto pelo novo acordo ortográfico.