Nos sete primeiros anos do prêmio, Vale e AmBev tiveram presença assídua no ranking
Analisar os resultados das primeiras sete edições do Ranking Agência Estado Empresas significa acompanhar a grande mudança a que esteve exposto o mercado de capitais brasileiro no período. O levantamento elege, desde 2000, as companhias de capital aberto que oferecem os melhores desempenhos para os seus acionistas. É uma referência para o crescente público investidor, que busca a renda variável para diversificar suas aplicações. A metodologia do ranking, desenvolvida em parceria com a Economática, oferece fotografias das empresas ao longo do tempo.
A lista das vencedoras do ranking ficou cada vez mais variada no período. Novos nomes, de setores inéditos, passaram a figurar entre as campeãs. A presença de empresas do Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que seguem normas mais rígidas de governança corporativa, também foi crescente. O movimento espelhou as mudanças na economia e a explosão do mercado de capitais no País. As elevadas taxas de juros, as crises externas e a falta de transparência desestimularam por muito tempo o investimento nas ações brasileiras.
A partir de 2000, o Ibovespa amargou três anos consecutivos de quedas. A tarefa do investidor era, então, identificar as companhias listadas capazes de entregar resultados positivos mesmo diante do movimento de baixa. Foi o que aconteceu com o Bradesco, campeão do ranking em 2000. Naquele ano, o banco iniciou a série de lucros recordes que marcariam o setor nos anos seguintes.
Nessa época, o Novo Mercado só existia na teoria. A necessidade de ampliar a transparência da gestão dos negócios e adotar um tratamento mais igualitário aos acionistas minoritários já havia sido identificada tanto pelos investidores como pela própria Bovespa. Aliás, foi a Bolsa paulista que puxou o movimento ao criar o Novo Mercado, em 2001. As empresas demoraram a se engajar e, após algumas resistências, aderiram aos poucos.
A primeira a ingressar no Novo Mercado foi a Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), em 2002, ano muito nervoso para o mercado financeiro, devido às eleições presidenciais. Como os temores sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silvia não se confirmaram - ao contrário, a atitude adotada pelo presidente após assumir o mandato agradou aos investidores -, a Bovespa passou a deslanchar. Depois de recuar 17% em 2002, o índice disparou 97,3% no ano seguinte.
Esse novo cenário significou uma enorme janela de oportunidades para as empresas. O mercado de capitais se transformou em uma fonte primordial de captação de recursos. Projetos de expansão da capacidade produtiva, de crescimento orgânico ou de aquisições de outras companhias passaram a ser financiados com os recursos obtidos na venda de ações. Mas, com uma condição: era preciso seguir a cartilha da governança corporativa.
A onda de abertura de capital, iniciada em 2004 com a bem-sucedida operação da Natura, seguia na ocasião da entrega do prêmio em 2007 a todo vapor.
O resultado do ranking referente ao desempenho de 2006 mostrou que as novatas já conseguiam posição de destaque. Além de Natura e CCR, a lista das vencedoras de 2006 trazia outras companhias há pouco tempo no mercado, como Localiza e Porto Seguro. Todas, assim como a Lojas Renner, pertenciam ao Novo Mercado - ou seja, cinco das dez ganhadoras estavam na seção especial.
Estratégias reconhecidamente bem-sucedidas e muito apetite para expansões garantiram um espaço quase permanente para Vale e AmBev no Ranking Agência Estado Empresas. Das sete primeiras edições do levantamento, essas companhias estiveram seis vezes na lista das dez melhores. Ambas eram as companhias que mais haviam figurado no ranking, apesar de, até então, nunca terem chegado ao primeiro lugar. Isso mostrou que elas mantinham constantemente resultados positivos, o que se refletia no desempenho no mercado de ações.
Duas companhias conseguiram chegar duas vezes ao primeiro lugar do Ranking Agência Estado Empresas. A Souza Cruz, que mantinha forte política de distribuição de dividendos aos acionistas, venceu em 2001 e 2002. A Lojas Americanas, estimulada por um processo de reestruturação, ganhou em 2003 e 2005.
Resumo de reportagem publicada, na ocasião da entrega do prêmio ranking Destaque Empresas de 2007. O texto original foi divulgado pelo serviço AE Empresas e Setores, conteúdo noticioso e analítico voltado ao mercado corporativo. Para melhor contextualizar as informações, a edição alterou os tempos verbais e atualizou o texto pelo novo acordo ortográfico.