Atuação no mercado interno marca prêmio concedido em 2007

Dentre as vencedoras, ausência para produtoras e commodities e bancos

Escolher as melhores empresas para investir em meio à euforia que tomou conta do mercado de ações brasileiro em 2006 parecia simples. Afinal, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deslanchou em quatro anos seguidos de alta e, no período, os acertos dos aplicadores superaram amplamente a possibilidade de cometer erros. Mais difícil era saber quais as companhias que continuariam a ganhar valor após a temporada de escalada de preços.

O prêmio Destaque Agência Estado Empresas de 2007, que premiou as companhias melhor colocadas no Ranking Agência Estado Empresas elaborado no ano anterior, trouxe as campeãs de retorno ao acionista, em um levantamento que ajudou a mostrar os motivos que qualificam uma companhia como boa opção de investimento.

Elaborado em parceria com a Economática, o ranking chegava à sua sétima edição. Foram avaliadas 124 companhias, com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões, com base em sete critérios de avaliação.

O curioso era que a lista não trazia empresas exportadoras, dos setores de commodities (aço, minério), nem bancos, ao contrário de levantamentos anteriores. As primeiras colocadas tiveram em comum a atuação no mercado interno como principal atividade. Em um cenário de dólar em queda, o resultado obtido no território nacional ganhou relevância.

Algumas das dez vencedoras até buscavam a internacionalização, mas todas estavam posicionadas predominantemente no mercado interno: Weg, AmBev, Natura, Souza Cruz, Localiza, Comgás, CCR, AES Tietê, Lojas Renner e Porto Seguro.

"As exportadoras foram vítimas do seu próprio sucesso", avaliou, na ocasião, o presidente da consultoria Economática, Fernando Exel. "A rentabilidade subiu muito e continuou elevada, mas cedeu em 2006", destacou então.

No caso dos bancos, os lucros foram reduzidos por um fator contábil: o lançamento de despesas decorrentes da compra de outras instituições financeiras, dentro do processo de consolidação bancária.

Euforia

A valorização dos ativos brasileiros atingia um patamar sem precedentes na história recente. Em 2002, quando o mercado financeiro ainda receava o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Ibovespa tremia por volta dos 8 mil pontos. Em 2007, superou os 52 mil pontos. Em três anos, cerca de 70 novas companhias abriram o capital, na maior onda de oferta de ações da história brasileira.

O presidente da Economática chamou atenção para um ponto importante: a relação entre o preço das ações e o lucro das empresas, o indicador P/L, ultrapassava a marca de 15 vezes em março de 2007. Esse patamar havia sido atingido de maneira consistente pela última vez em 1997, durante a euforia que precedeu a crise da Ásia, em outubro daquele ano.

Uma série de fatores explicava o novo momento de alta na Bolsa. A liquidez internacional era estrondosa e sobrava dinheiro mundo afora, a economia brasileira estava nos trilhos e o País caminhava para conseguir a classificação de grau de investimento das agências de risco, que finalmente chegaria em abril de 2008.

Mas uma verdadeira revolução institucional acontecia. A Bovespa criou o Novo Mercado, uma seção especial onde apenas são negociados papéis de empresas que observam princípios de transparência na gestão dos negócios - a chamada governança corporativa.

Deu certo e os investidores se mostraram cada vez mais dispostos a comprar ações de companhias que seguissem esses padrões. Prova disso foi que, das 10 vencedoras do ranking, cinco eram do Novo Mercado - Natura, Localiza, CCR, Lojas Renner e Porto Seguro.



Resumo de reportagem publicada, na ocasião da entrega do prêmio ranking Destaque Empresas de 2007. O texto original foi divulgado pelo serviço AE Empresas e Setores, conteúdo noticioso e analítico voltado ao mercado corporativo. Para melhor contextualizar as informações, a edição alterou os tempos verbais e atualizou o texto pelo novo acordo ortográfico.

 

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