Companhia distribuiu o equivalente a 80,4% do lucro gerado
A fabricante de cosméticos Natura, quarta colocada no Ranking Agência Estado Empresas de 2005, elaborado em parceria com a Economática, foi a única das caçulas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a figurar entre as dez primeiras colocadas. Apesar da pouca vivência no mercado de capitais, a empresa despontou como uma das principais opções entre os papéis da área de consumo, dado seu potencial de valorização. Em maio de 2005, um ano depois da abertura de capital, as ações da companhia acumulavam alta de 103%, atingindo 199% ao final de dezembro de 2006.
O desempenho derivou não apenas dos resultados operacionais, como também da performance do setor de cosméticos, fragrâncias e higiene pessoal. Apenas em 2005, o mercado nacional cresceu entre 14% e 15%. Junte-se a isso a força da marca Natura, considerada pela companhia como um ativo não contabilizado no balanço. Tal combinação de fatores positivos se refletiu principalmente no quesito P/VPA, mostrando que a empresa valia em Bolsa quase 17 vezes seu patrimônio líquido - o melhor resultado neste item entre todas as participantes.
O gerente de Relações com Investidores da Natura, Helmut Bossert, explicou na ocasião que o grau de imobilização era pequeno, assim como a necessidade de investimentos. A geração de caixa, ao contrário, era relevante e permitia à companhia implementar uma atrativa política de pagamento de dividendos.
No ano passado, os acionistas da Natura receberam o equivalente a 80,4% do lucro gerado e a 48,9% do patrimônio, a quarta melhor marca do ranking. "A política era distribuir 100% do caixa livre gerado", informou na ocasião. "Preferimos repassar estes recursos aos acionistas para que eles decidam o que fazer."
O executivo avaliou que há outros fatores que os investidores olhavam ao escolher o papel da Natura, mas o básico seria a confiança na capacidade dos gestores de continuar obtendo resultados positivos. Isso explicou, segundo Bossert, a boa colocação (22º) no critério do ranking que considera a relação entre o preço da ação e o lucro obtido em 2005. "O mais importante é a confiança que o conselho e a direção da empresa passaram, no sentido de cumprir o que era prometido", afirmou. "É um misto de confiança e transparência."
Um dos principais pontos destacados pelo mercado para justificar a atração pelas ações da Natura era a governança corporativa. Por ser uma das primeiras a abrir capital na onda de lançamentos de papéis registrada a partir de 2004, e considerando o atraso nesta área de algumas empresas que vieram na sequência, a companhia virou referência.
Resumo de reportagem publicada, na ocasião da entrega do prêmio ranking Destaque Empresas de 2006. O texto original foi divulgado pelo serviço AE Empresas e Setores, conteúdo noticioso e analítico voltado ao mercado corporativo. Para melhor contextualizar as informações, a edição alterou os tempos verbais e atualizou o texto pelo novo acordo ortográfico.