Incorporação elevou receita em moeda forte e garantiu melhora do risco
A AmBev, então a quinta maior fabricante de bebidas do mundo, ocupou o terceiro lugar no Ranking Agência Estado Empresas de 2005, feito em parceria com a Economática. A companhia colheu no período os frutos de diversas decisões tomadas um ano antes, que mudaram sua trajetória.
O movimento mais relevante foi a incorporação da cervejaria canadense Labatt, em agosto de 2004, que possibilitou à empresa ter uma parcela de 30% de sua receita em moeda forte. A partir daí, a conquista do patamar "investment grade" (grau de investimento) por duas agências de classificação de risco foi um passo - contribuindo para a procura pelo papel.
Entre os destaques no estudo que serviu de base para a premiação do Destaque Agência Estado Empresas de 2006, a baixa volatilidade das ações garantiu à AmBev a quarta melhor posição do ranking neste quesito, em decorrência, principalmente, da melhora no índice de confiança. "A previsibilidade dos resultados de uma empresa com operações em mercados desenvolvidos (Labatt) é maior", comentou na época o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da empresa, João Castro Neves.
Chamou atenção também a relação entre o preço da ação e o lucro obtido pela companhia (P/L), com o oitavo melhor lugar neste indicador. Em 2005, a cervejaria lucrou R$ 1,5 bilhão, com alta de 33% em relação ao ano anterior - e as ações acumularam ganho de 50%.
Na opinião de Castro Neves, a companhia passava por um momento especialmente positivo, atraindo tanto o investidor com perspectiva de longo prazo como o de curto prazo. Isto porque vinha proporcionando, ao mesmo tempo, ganhos de capital a quem ficava pouco tempo com o papel e boa remuneração por meio do pagamento de dividendos. O executivo observou ainda que a AmBev possuía estrutura instalada significativa, exigindo menos investimentos e gerando mais caixa.
Tal conjunto de fatores contribuiu para o índice de liquidez das ações da empresa, que rendeu a 18º colocação geral no acompanhamento. Para Castro Neves, o resultado deriva do trabalho da área de Relações com Investidores e do volume de ações em circulação no mercado. "Isto dá conforto para o acionista", disse na ocasião.
Resumo de reportagem publicada, na ocasião da entrega do prêmio ranking Destaque Empresas de 2006. O texto original foi divulgado pelo serviço AE Empresas e Setores, conteúdo noticioso e analítico voltado ao mercado corporativo. Para melhor contextualizar as informações, a edição alterou os tempos verbais e atualizou o texto pelo novo acordo ortográfico.