Empresa encerrou o ano valendo, na Bolsa, o equivalente a 16 vezes seu patrimônio líquido
A Lojas Americanas, uma das mais tradicionais redes de varejo do País, driblou o desaquecimento do consumo de bens não-duráveis que marcou o ano de 2005 e proporcionou a seus acionistas retorno que garantiu o primeiro lugar no ranking Agência Estado Empresas do período, feito em parceria com a Economática.
A companhia, que já havia sido campeã em 2003, após um segundo lugar no ano anterior, terminou 2005 valendo na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) o equivalente a 16 vezes seu patrimônio líquido.
O desempenho garantiu, neste indicador (P/VPA), a segunda melhor posição entre as 151 empresas avaliadas no acompanhamento. Outro destaque da campeã foi a variação do retorno sobre o patrimônio líquido (delta ROE), um indicador de rentabilidade. Neste item, a varejista conseguiu a sétima melhor colocação geral.
Para o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Lojas Americanas, Roberto Martins, as boas colocações nas últimas edições do ranking decorreram das mudanças de rumo adotadas a partir da reestruturação financeira de 2001, que permitiram uma trajetória ascendente dos resultados desde então.
Martins argumentou que o esforço da Lojas Americanas por elevar as vendas e reduzir despesas possibilitou a formação de caixa e a distribuição de proventos. Isto, associado ao baixo valor do patrimônio líquido, resultou em índices expressivos. "Para o acionista é bom, pois a empresa tem um patrimônio pequeno, mas distribui valores significativos."
Na opinião do executivo, os investidores que apostaram na Lojas Americanas levaram em conta as projeções de longo prazo do negócio, fundamentadas em vários fatores, como o braço de comércio eletrônico, a Americanas.com, e a expansão de lojas.
No final dos anos 90, o modelo de negócios da Americanas recebia avaliações pessimistas, relacionadas à expectativa de que seria impossível a sobrevivência do formato frente ao avanço dos hipermercados. Foi uma época em que, ao mesmo tempo em que grandes redes de varejo ampliavam seus investimentos no Brasil, tradicionais cadeias como Mappin e Mesbla fechavam suas portas. Para Martins, a persistência da empresa mesmo com um formato afetado pela concorrência foi determinada pela gestão focada em resultados, principalmente após 2001.
Resumo de reportagem publicada, na ocasião da entrega do prêmio ranking Destaque Empresas de 2006. O texto original foi divulgado pelo serviço AE Empresas e Setores, conteúdo noticioso e analítico voltado ao mercado corporativo. Para melhor contextualizar as informações, a edição alterou os tempos verbais e atualizou o texto pelo novo acordo ortográfico.