Programa habitacional reduz incertezas e dá novo ânimo ao setor

Comum antes do agravamento da crise, o anúncio de metas pelas incorporadoras começa a ser retomado depois de um longo período com foco em manter o caixa

Por Chiara Quintão



As perspectivas para 2009 começaram a ficar mais claras para as incorporadoras no fim do primeiro trimestre, com o anúncio do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", pelo governo federal. Além de estimular a produção das incorporadoras com atuação já focada na média-baixa e baixa renda, principalmente para o segmento de três a dez salários mínimos, as medidas do programa deram mais segurança para que outras empresas optassem por ampliar a participação desses segmentos em seus negócios. Já os horizontes para a produção destinada às faixas de renda média e alta vão depender da melhora de indicadores macroeconômicos.

A implantação das medidas do pacote habitacional começou em 13 de abril. Desde o início, o mercado percebeu o aquecimento na demanda por imóveis enquadrados no programa. Mas fatores como o ritmo de aprovação dos projetos e de obtenção de licenças é que vão definir as reais dimensões dos efeitos das medidas na produção efetiva das unidades. Nos projetos para a faixa de renda de até três salários mínimos, a parceria com governos estaduais e municipais pode ser necessária para tornar viável a execução dos empreendimentos, principalmente nas cidades de maior porte, como São Paulo, em que os preços máximos definidos para os imóveis foram considerados baixos pelo setor.

Ainda assim, com as medidas do programa e o início da redução das incertezas em relação aos rumos da economia, algumas incorporadoras anunciaram projeções de lançamentos e vendas ou revisaram as metas ao divulgar os resultados do primeiro trimestre. O anúncio de metas, que era comum antes do agravamento da crise financeira internacional, tinha deixado de ser prática corriqueira das companhias num cenário em que a cautela e a preservação de caixa se tornaram palavras de ordem. Além do programa habitacional, a queda da taxa de juros e medidas como o aumento do limite de financiamento com recursos da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de R$ 350 mil para R$ 500 mil também funcionam como estímulos ao setor.

Mas não há expectativa que os indicadores do setor atingirão este ano os patamares de 2007 e 2008. Há um certo consenso que os números alcançados nesses dois anos podem até ser obtidos novamente, mas não se espera que as taxas de crescimento do período sejam retomadas. No último trimestre de 2008, o movimento de expansão de lançamentos foi interrompido. Por causa da crise financeira internacional, consumidores ficaram mais apreensivos em tomar decisões de longo prazo como a compra de imóveis. Preocupadas em preservar caixa num cenário de menor demanda, incorporadoras reduziram o ritmo de lançamentos.

Em 2009, as empresas mantêm a postura de cautela e o discurso de que só vão lançar produtos se houver demanda assegurada. Na estimativa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), para a cidade de São Paulo, maior mercado imobiliário do País, devem ser lançadas 28 mil unidades em 2009, 17,6% abaixo das 34 mil unidades do ano passado.

Copyright © 2010 . Agência Estado, uma empresa do Grupo Estado. Todos os direitos reservados.